sábado, 8 de maio de 2021

 

Revista Época chega ao fim no impresso e no online

A marca Época seguirá ativa somente como seção semanal do jornal O Globo

O mês de aniversário da revista Época veio com uma grande mudança: o fim de suas versões impressa e online. A partir de 28 de maio, a publicação seguirá apenas com uma seção semanal no jornal O Globo. O conteúdo estará disponível aos assinantes do veículo.

De acordo com matéria publicada no site da Época, que seguirá ativo somente até o fim do mês, a novidade deve-se à percepção de que, com o desenvolvimento da internet, a dinâmica das revistas impressas semanais tem perdido relevância no Brasil e no mundo. Isso porque, de acordo com o próprio veículo, os furos de reportagem passaram a ser publicados em tempo real e alertados nos celulares dos leitores.

“É para enfrentar essa transição e continuar a oferecer ao leitor informação aprofundada e de qualidade — e no tempo que ele deseja — que Época vai se reinventar”, aponta a publicação. Reinvenção que, na prática, será o fim da marca enquanto revista impressa e domínio próprio na web.

A chegada da Época ao jornal O Globo como mera seção semanal contribui com o propagado objetivo dele consolidar-se como o maior e melhor do Brasil. Isso porque, em seus 23 anos, a revista foi responsável por importantes furos jornalísticos e, com reportagens aprofundadas sobre diversos temas, foi vencedora de grandes premiações.

Para os amantes da revista em sua versão mais tradicional, ainda há uma boa notícia. A direção de O Globo ressalta que, em ocasiões especiais, a Época lançará a sua edição impressa, mas sem periodicidade definida. “A edição impressa de Época voltará em ocasiões especiais, para discutir com ainda mais profundidade temas cruciais para ajudar o leitor a entender os novos tempos”, pontua o material divulgado.

Como serão as publicações no jornal?

Na versão impressa do jornal O Globo, a Época terá páginas fixas para suas grandes reportagens, que serão veiculadas aos sábados. Além disso, ao longo da semana, a marca fará presença por meio de matérias analíticas e reflexivas. Segundo o texto que informa o fim da revista em suas versões impressa e online, no jornal diário, ela fará parte do conteúdo disponível somente aos assinantes.

Fonte: Comunique-se (Julia Renó)

 

sábado, 10 de abril de 2021

 

Imprensa nordestina se destaca com novidades digitais

 

Anderson Scardoelli

Jornal torna-se parceiro do Facebook, marca reformula site e emissora de TV investe em ação via redes sociais

O mês de abril está sendo acompanhado por inovações implementadas por veículos de comunicação baseados no Nordeste. Na região, teve jornal comemorando ter sido escolhido para projeto desenvolvido em nível mundial pelo Facebook. Enquanto isso, portal de notícias prepara o lançamento de nova versão e um canal de TV se propõe a utilizar as redes sociais para incentivar o empreendedorismo.

Parceiro de uma das maiores plataformas de rede social do mundo. É com essa chancela que o Diário do Nordeste, de Fortaleza (CE), segue a sua trajetória no jornalismo no decorrer das últimas semanas. Isso porque o título, que recentemente passou a concentrar sua força de produção 100% no online, foi um dos cinco veículos brasileiros selecionados pelo Facebook para programa de aceleração de audiência virtual.

O Diário do Nordeste é o único representante da mídia nordestina na edição do projeto. Os outros veículos do Brasil selecionados pelo Facebook estão concentrados no Sul e no Sudeste: Gazeta do Povo (Curitiba/PR), Editora Globo e UOL (São Paulo/SP) e SBT (Osasco/SP).

“Momento chave para reforçar a transformação digital”

Diretor de marketing do Sistema Verdes Mares, conglomerado responsável pelo Diário do Nordeste, Erick Picanço comemora a parceria com o Facebook. “O programa accelerator chega em um momento chave para reforçar a transformação digital do Diário do Nordeste que, em fevereiro desde ano, ampliou seu portfólio e digitalizou todos os seus produtos”, comenta o executivo. “Essa iniciativa faz parte da decisão estratégica de tornar o DN o mais relevante e acessado veículo de informação do Nordeste nos próximos dois anos”, analisa.

Novo AratuON

Quando o assunto é investimento em conteúdo digital quem também apresenta novidades é o Grupo Aratu, de Salvador (BA). Além de controlar a afiliada local do SBT, a empresa mantém no ar o portal AratuON. E o braço digital do conglomerado prepara-se para ser remodelado. O resultado da reformulação será apresentado ao público internauta no domingo, 11.

O novo AratuON investirá em conteúdo multimídia e promete ir além do chamado hard news. Para agradar aos amantes do futebol local, o site estreará um documentário sobre o clássico entre Bahia e Vitória. “BAVI – O silêncio de um clássico” estará no ar justamente a partir de 11 de abril. Além disso, o projeto reformulado contará com colunistas e vídeos.

“Caminho para o protagonismo de nossos produtos digitais”

“A pandemia fez com que a gente percebesse o quanto a notícia e o entretenimento podem ser valiosos na vida das pessoas. Esse conteúdo, feito com a responsabilidade e a tradição de 52 anos do Grupo Aratu, pode, literalmente, salvar vidas”, avalia o gerente de conteúdo e inovação da empresa baiana, Pablo Reis. “Os acionistas e toda a equipe percebemos que ampliar as nossas formas de atuação, buscando ao máximo valorizar a singularidade da Bahia, as coberturas ao vivo e as plataformas digitais que só a Aratu tem são o caminho para o protagonismo de nossos produtos digitais”, explica o gestor.

Em prol do empreendedorismo

No Ceará, parceria com o Facebook. Na Bahia, reformulação de site. A trinca de novidades digitais na imprensa nordestina é formada com a mais nova ação protagonizada pela Rede Tambaú de Comunicação (RTC), de João Pessoa (PB). Nesta semana, o conglomerado de mídia lançou a #TambauTMJ (Tambaú Tamo Junto). A iniciativa tem por objetivo divulgar gratuitamente serviços e produtos de micro e pequenos empreendedores do estado.

O trabalho em prol do empreendedorismo paraibano contará com divulgação nas afiliadas locais do SBT e da Jovem Pan, emissoras da RTC. Além disso, os materiais aprovados pela empresa terão vez no Portal T5 e, claro, nas redes sociais, onde a hashtag que dá nome ao projeto será disseminada.

Ainda como parte da digitalização da proposta, os empreendedores paraibanos terão de enviar seus materiais — áudios ou vídeos gravados na horizontal, com até 30 segundos de duração — para o WhatsApp de número 83-98832-3466. Na hora de enviar o conteúdo, o empresário deve informar nome, telefone, bairro, cidade e indicar ao menos um perfil na rede social.

“Compromisso com o desenvolvimento socioeconômico”

Superintendente da RTC, André Vajas foca no fator prestação de serviços da campanha. “Esse novo projeto reforça nosso compromisso com o desenvolvimento socioeconômico da Paraíba, especialmente neste momento tão desafiador”, declara o executivo. “Ficamos muito felizes em poder contribuir para que micro e pequenos empreendedores divulguem seus produtos e serviços e possam movimentar seus negócios”.

As novidades envolvendo Diário do Nordeste, AratuON e RTC mostram a força que a imprensa da região está conquistando no ambiente digital. Atualmente, de acordo com os registros da plataforma Comunique-se 360, solução de mailing imprensa líder no mercado brasileiro, há 710 projetos de comunicação online ativos em todo o território nordestino.

Fonte: Comunique-se

 

Estadão bate recorde de audiência na internet

 

Anderson Scardoelli

Veículo de comunicação cresceu mais de 50% em um mês

Jornal impresso? Definitivamente, a centenária marca Estadão vai além da mídia em papel como plataforma para disseminação de conteúdo informativo. Nesta quinta-feira, 8, o grupo de comunicação revelou ao público os dados de sua audiência online no consolidado de março. E os números são mais do que positivos. Recorde, segundo o próprio veículo.

De acordo com os registros do Google Analytics, o Estadão contabilizou 47,8 milhões de usuários na soma de todas as suas plataformas digitais, como site e aplicativo, de 1º a 31 de março. Audiência que representa crescimento de 52% no intervalo de um mês. Isso porque em fevereiro o número de visitantes únicos ficou na casa dos 31 milhões.

Mais do que o aumento da audiência de um mês para outro, os números alcançados em março representam o maior alcance da trajetória virtual de O Estado de S. Paulo. Anteriormente, o recorde no quesito usuários — sempre com dados aferidos pelo Google Analytics — havia sido registrado em novembro de 2020. Na ocasião, foram 47,4 milhões de visitantes únicos.

Diretor-executivo de estratégias digitais do Grupo Estado, conglomerado de mídia responsável pela marca Estadão, Leonardo Contrucci enxerga o resultado como fruto do trabalho que vem sendo executado há mais de um ano. “O mês de março de 2021 foi importante dentro da jornada de transformação digital que o Estadão iniciou no fim de 2019”, comenta. “A audiência continua em constante ritmo de crescimento, agora atingindo um recorde de visitantes únicos para a empresa”, comemora o gestor.



À frente da concorrência

Além de destacar o novo recorde, a equipe do Estadão reforça que, com os números de março, superou a concorrente Folha de S. Paulo na audiência online. Conforme informações publicadas nesta quinta, o Estadão abriu frente de 9% diante do volume de visitantes únicos apresentado pelo veículo de comunicação mantido pela família Frias no mesmo período.

 Fonte: Comunique-se

quarta-feira, 31 de março de 2021

 Os desafios e oportunidades do setor de revistas

Com queda na média da circulação em 2020, títulos têm no modelo multiplataforma e no prestígio das marcas alternativas para a retomada

Bárbara Sacchitiello
22 de março de 2021

As dificuldades do meio revista, que já eram árduas, tornaram-se ainda maiores no ano passado, quando o novo coronavírus obrigou as pessoas a passaram mais tempo em casa e fez com que os serviços considerados não essenciais interrompessem total ou parcialmente suas atividades. Como consequência, mais pessoas perderam os empregos ou viram seu poder econômico diminuir. Ao mesmo tempo, as próprias editoras também tiveram dificuldades de colocar seus veículos nas ruas. Com medidas sanitárias que alteraram o funcionamento de gráficas e também das redações, alguns títulos deixaram de circular em sua versão original.

Mesmo com a tentativa de manter o público engajado ao conteúdo e, também, de segurar as receitas publicitárias, o meio revista teve um 2020 de muita dificuldade. A circulação média das grandes publicações do País sofreu queda de acordo com os dados do Instituto Verificador de Comunicação (IVC). A Veja da editora Abril – a maior revista do País em termos de circulação – encerrou 2020 com uma média de 261.272 exemplares (52% a menos do que tinha em dezembro de 2019, quando sua circulação média alcançava a marca de 546.287 publicações.

Esses dados do IVC consideram tanto as revistas impressas quanto as assinaturas digitais, que também são oferecidas pelas editoras. Entre as publicações de maior circulação do ranking, é possível notar que a retração afetou todos os títulos, tanto os de notícias semanais, como Veja e Época, como publicações segmentadas, como Saúde e Quatro Rodas.

Na visão da Associação Nacional dos Editores de Revistas (Aner), os desafios impostos no ano passado aceleram uma série de transformações pelas quais o meio já estava passado em meio à disrupção digital. Diante dos desafios que continuam se apresentando em 2021, Rafael Menin Soriano, presidente da Aner, crê que a vocação segmentada das revistas continuará capaz de criar vínculos com os leitores. Veja a entrevista:

 

Meio & Mensagem: O segmento de revistas, de forma geral, já vinha enfrentando um cenário bastante desafiador nos últimos anos. De que forma a pandemia, no entanto, acabou colaborando para tornar ainda mais desafiador esse contexto?

 Rafael Soriano: Assim como a maior parte dos setores da economia mundial, as revistas enfrentaram muitos desafios em 2020 por conta da pandemia. Na prática e pelas características do nosso mercado, esses desafios aceleraram uma série de transformações que já estavam em andamento em meio à chamada disrupção digital. Em que pese todas as dificuldades, as editoras associadas à ANER conseguiram se reinventar e se posicionar de forma mais próxima e útil aos seus leitores.

 M&M: Os grandes títulos brasileiros registraram uma queda na circulação, em média, em 2020. Qual seria a alternativa ou forma de os publishers tentarem interromper esse ritmo de queda

 Soriano: Em primeiro lugar, é sempre importante não falarmos de circulação olhando apenas para o impresso. Se avaliarmos a audiência das revistas em seus formatos digitais (com acesso mais democrático e sem grandes barreiras logísticas que o nosso país de proporções continentais impõe) e também o engajamento que os títulos geram nas redes sociais veremos que a audiência das revistas, como um todo, cresce. Portanto, índices de queda de circulação impressa podem não representar a realidade, uma vez que o meio digital é cada vez mais dinâmico e versátil. Sabemos que, não é de hoje, a circulação impressa vai em direção a uma tiragem mais reduzida, mas nem por isso o meio papel perde importância.

 

M&M: De que forma as editoras vêm procurando diversificar as fontes de receitas para conseguir atrair mais verbas com seus títulos além das assinaturas e vendas avulsas? Como esse trabalho poderia ser melhor desenvolvido, na visão da ANER?

Soriano: As dificuldades impostas pela pandemia nos obrigaram a fazer mais e melhor. A necessidade de buscar receitas além das assinaturas e anúncios digitais e impressos é evidente. Por isso, e para oferecer um ainda melhor jornalismo, muitas publicações aprofundaram suas narrativas com mais oferta de conteúdo digital em sites ou aplicativos e em podcasts, cuja audiência vem surpreendendo. As revistas também se adaptaram rapidamente ao necessário isolamento social e investiram com sucesso em eventos virtuais, muitas vezes com até parcerias até então inéditas. Muitas das publicações também passaram a promover com mais profundidade iniciativas educativas, em vários níveis.

 M&M: A monetização no ambiente digital ainda é um desafio para as marcas jornalísticas. Como os publishers vem procurando desenvolver soluções de publicidade para conseguir tornar a presença digital mais rentável?

 Soriano: A credibilidade das marcas e sua conexão ao referencial de conteúdo profissional e ético será sempre o caminho para a transformação do modelo. Além de todo o esforço que referi na resposta à pergunta anterior, as revistas estão fortemente empenhadas em oferecer aos leitores experiências múltiplas exclusivas. Assim como todas as organizações de notícias, as revistas disputam um mercado digital muito desigual, em que neste momento a maior parte dos investimentos fica nas mãos de grandes empresas digitais, entre mídias sociais e motores de busca. De um lado, lutamos por uma maior simetria regulatória para todas as mídias, mas as revistas também efetivam parcerias com empresas de tecnologia nos casos em que há justa divisão de receitas. Como disse, o maior bem das revistas é, sem dúvida, a nossa credibilidade — de quem pratica jornalismo profissional comprometido com a verdade. É essa credibilidade que dá mais valor às marcas anunciantes, que têm a garantia de estarem associados ao jornalismo profissional comprometido com a verdade.

 M&M: Quais são as expectativas para o setor em 2021?

 Soriano: O ano de 2021 será tão desafiador quanto 2020, uma vez que a pandemia não será debelada tão cedo. Por isso, acreditamos que as experiências que fizemos em 2020 ganharão ainda mais qualidade, tanto no digital quanto no impresso. A aceleração da transformação digital imposta pela pandemia não de todo ruim, através dela as revistas estão se reinventando e esse será o caminho para a construção de modelos sustentáveis. No caso do meio papel, é importante destacar que as edições têm ganhado um novo significado, em que a produção de textos e imagens é mais sofisticada, exclusiva e especializada, contribuindo para o progresso social e econômico. O produto impresso é nossa origem e ele segue representando a expressão maior da nossa experiência, mas é importante que o mercado entenda que as revistas vão muito além de suas edições impressas. A vocação segmentada das revistas faz com que ela tenha um diálogo conectado com os públicos de nichos de forma muito assertiva, independentemente do meio através do qual essa interação ocorre.

Fonte: Meio&Mensagem

sábado, 13 de março de 2021

 

O pagamento pelo consumo de jornalismo está relacionado  a questões culturais e gera discussões em todo o mundo

De Londres, Luciana Gurgel | Editora, MediaTalks by J&Cia

O hábito de acessar informações de graça, enraizado quando a digitalização do jornalismo dava seus primeiros passos, é um dos grandes desafios da indústria de mídia, em um contexto em que produzir informação de qualidade exige investimentos cada vez mais altos.

Pagar por algo que se consome é algo que poucos questionam. Mas quando se trata de pagar por notícias, as coisas mudam.

Esse desafio afeta tanto países menos desenvolvidos, cujas populações não dispõem de recursos para pagar por assinaturas, quanto nações ricas. Pesquisas mostram que trata-se de uma questão cultural, mais do que orçamentária.

E veio da África, mais precisamente do Quênia, um exemplo elogiado pelo Nieman Lab, um dos principais think thanks globais de jornalismo, baseado na Universidade de Harvard. O centro considerou exemplar a mensagem do diretor editorial do jornal Daily Nation aos leitores para explicar por que a publicação iria passar a cobrar pelo conteúdo, em janeiro.

Mutuma Nathiou fez uma analogia com a frase “Não existe almoço grátis”, celebrizada pelo economista americano Milton Friedman, querendo dizer que em tudo na vida há alguém pagando, mesmo que não seja você.

Ele lembrou aos leitores que o negócio das plataformas digitais é a coleta de dados dos usuários. E que quando eles não pagam pelo conteúdo mas deixam que seus dados sejam capturados pelas gigantes para a venda de anúncios, o dinheiro vai para as mãos delas. E não para quem produz jornalismo, enfraquecendo a indústria.

Em busca do modelo perfeito

Para sobreviver financeiramente, seja por meio de assinaturas, micropagamentos (em que o leitor compra apenas a matéria que deseja ler), programas de membros ou pela propaganda tradicional, há uma regra universal: é preciso conquistar a audiência. Porque ninguém paga, mesmo que seja pouco, se não enxerga valor.

Diante dessa dificuldade, crescem em todo o mundo as pressões para que as gigantes digitais remunerem os veículos jornalísticos pelo conteúdo veiculado em suas plataformas, a fim de compensar as perdas decorrentes da concentração da propaganda nas mãos delas. A Austrália foi o primeiro país do mundo a regulamentar o pagamento, em uma lei aprovada em março.

Mas não há unanimidade quanto a esse movimento. Um dos visionários da indústria de mídia, o diretor de inovação do Wall Street Journal, é um dos que levanta questões.

Na Conferência da Organização Mundial de Editores, no início de março, Edward Roussel fez um alerta: ele acha que a pressão da indústria de mídia e de governos sobre as gigantes pode evoluir de uma benção para uma maldição, pois elas estão entrando no negócio de notícias.

E apontou cinco tendências de consumo de informações ditadas pelas Big Techs: brevidade, interatividade, personalização, mais áudio e mais vídeo.

Vale observar o que ele diz, porque seja para um grande jornal ou TV ou um blog independente, não existe almoço grátis. Alguém vai ter que pagar a conta. E ganhar atenção do público é parte da equação.

Leia mais sobre o que disse Edward Roussel sobre as tendências no consumo de notícias e sobre a implantação de paywall no Daily Nation em MediaTalks by J&Cia.

Fonte:Comunique-se

 

Publishers podem perder US$ 10 bilhões com corte de cookies

Por que anunciantes não estão preparados para a nova restrição de dados vindas da Apple e do Google, segundo o IAB


12 de março de 2021 - 17h59

(*) Por Garett Sloane, do Ad Age

As marcas estão pouco preparadas para as mudanças na privacidade que irão bloquear dados no marketing digital, e publishers esperam a perda de bilhões de dólares por causa das novas restrições impostas pela Apple e pelo Google, de acordo com o Interactive Advertising Bureau, que emitiu um relatório da declaração anual de dados na quinta-feira.

O relatório do IAB diz que uma vez que a Apple e o Google restrinjam os dados do consumidor nos navegadores e dispositivos, as marcas terão que achar novas táticas de marketing digital. Enquanto isso, publishers estimam perder US$ 10 bilhões em receita enquanto a personalização se torna mais difícil online graças à depreciação dos cookies de terceiros.

“A receita dos anunciantes está em perigo”, diz Orchid Richardson, vice-presidente do IAB. “Está em 10 bilhões de dólares, nós estamos prevendo que é o que [os anunciantes] vão perder, porque nós não conseguiremos mais atingir a audiência e aproveitar o dado de terceiros, se não chegarmos a uma solução.”

“Marcas eram o grupo mais despreparado para o fim dos cookies”, diz Richardson. “Elas quase tinham uma estratégia de ver o que ia acontecer, sentiram que era o problema para outra pessoa resolver”, acrescentou.

O IAB se tornou o maior porta-voz da publicidade digital, pressionando por cooperação entre os maiores stakeholders para criar programas de identidade para repor os antigos métodos. Essa semana, o IAB sediou o encontro anual de liderança com palestrantes de plataformas como Google, Facebook e Amazon; companhias de tecnologia de anúncios como LiveRamp, Magnite, Pubmatic e MediaMath; e marcas como Unilever, Mastercard, PepsiCo e Ocean Spray.

O relatório de dados do IAB buscou quantificar quanto dinheiro o mundo dos anúncios online poderia perder no ano que vem enquanto a Apple e o Google acabam com as práticas de compartilhamento de dados que emponderaram a internet aberta e a publicidade por anos.

Semana passada, o Google anunciou que, quando parasse de utilizar cookies de terceiros, que são arquivos monitoram usuários da internet dentre seus navegadores, ele não os substituiria com IDs que dependem de níveis similares de informações pessoais.

Ao invés disso, haverá “coortes”, que é um método de atingir e providenciar campanhas publicitárias baseado em grupos de usuários que não são identificáveis individualmente. A Apple já restringiu o rastreamento em seu “Safari”, e está prestes a lançar a última atualização do iOS para iPhone, a versão 14.5, que irá aumentar as barreiras para os marqueteiros acharem usuários através de seus aparelhos.

Publishers usaram o compartilhamento de dados para preencher o inventário de publicidades, e marcas utilizaram dados para direcionar e mensurar os anúncios. O IAB está trabalhando em diversas respostas que desenvolverão “IDs identificados” que os publicitários e as marcas poderiam adotar. A conversa no topo da liderança do IAB se concentrou em torno de novos programas de identidade e o que marcas podem fazer com dados primários, a informação que eles coletam sozinhos com o consentimento do consumidor.

“Você será capaz de pegar dados primários e usar de um jeito seguro para criar segmentos e audiências, e enviá-las de maneiras que nunca imaginamos ser possível”, disse Tom Kershaw, diretor de tecnologia no Magnite, a plataforma de anúncios, durante a conferência.

Na quarta, Nicole Lesko, vice-presidente de dados, produtos de propaganda e monetização da Meredith, publicou uma resposta às mudanças de cookie do Google.

“A única surpresa sobre o anúncio do Google é a resposta da indústria”, disse Lesko. “O Google indicou que iria nessa direção pelos últimos 15 meses. Os publishers estão cautelosos em relação a soluções que se baseiam em um endereço de e-mail para substituir os cookies de terceiros em um espaço programático.

“Deixando os problemas de escala de lado, um e-mail é determinante e não é facilmente controlado uma vez que é compartilhado universalmente, independentemente de seu suposta anonimato”, completa Lesko, se referindo Às preocupações sobre qualquer produto de ID que depende de informações pessoalmente identificáveis, como e-mails, que muitos anunciantes têm acesso por meio de usuários conectados. “Enquanto editores e guardiões daquele endereço de e-mail, o consumidor confia em nós para mantê-lo seguro em troca da utilização de conteúdo, experiências e marketing personalizado em nossas propriedades”, disse.

Kershaw, do Magnite, tem uma opinião parecida. “As decisões da Apple e do [Google] Chrome não surgiram apenas do nada”, diz ele no topo da liderança. “Foram os consumidores, o clamor e a preocupação que levou para uma situação diferente, e nós estamos no controle para reinventar.”

Entretanto, ainda existem desentendimentos em como reinventar a situação. Lesko deu dicas para os anunciantes sobre como trabalhar com parceiros de fornecedores de tecnologia de publicidade, aconselhando-os a não depender de identificadores que ainda passam informações pessoais como endereços de e-mail dos leitores.

Grandes anunciantes, que investiram em seus dados primários e os usaram apropriadamente, puderam compensar a receita perdida, disse Lesko.

Richardson diz que as marcas também precisarão se ajustar recolhendo o máximo de dados primários que têm, e não podem depender do lado escuro da publicidade programática para se conectar com seu público. “As marcas realmente espertas, as direct-to-consumer… [elas estão] mudando para uma dependência dos jardins murados e aproveitando isso para conseguir sua audiência”, diz o vice-presidente do IAB. “São as marcas mais tradicionais que realmente estão pensando sobre, ‘como eu posso melhorar meus dados primários, que tipo de parceiros eu preciso trazer para me ajudar a alcançar meu público”.

 (*) Tradução: Henrique Cesar Mello

 

Fonte: Meio & Mensagem

 

Mais um impresso deixa de circular no Brasil

Quem insistir com a fórmula surrada de "publicar notícias" estará correndo em direção ao clube dos sem papel

 

O Diário do Nordeste, líder em circulação no Ceará, abandonou as rotativas. O jornal, que chegou perto de 50 mil exemplares por dia de circulação, há 15 anos, agora amargava números bastante mais tímidos, abaixo dos 15 mil exemplares diários. Sem estar preparado para enfrentar um mercado que, certamente ainda vai encolher, o DN decidiu abandonar o barco dos impressos.

Há uma série de erros nesse jogo, que faz com que o Diário seja apenas mais um a entrar no grupo dos sem-impresso, onde já estão marcas importantes do cenário nacional como Gazeta do Povo (Paraná), Diário Catarinense (Santa Catarina), A Gazeta (Espírito Santo) e A Cidade (Ribeirão Preto, SP), entre outros. Essa lista, certamente, vai crescer até o fim do ano.

Diferentemente do que alega, o DN não está interrompendo a circulação do impresso para “aumentar a oferta digital”, como informou aos leitores. A interrupção se deve a falhas de gestão, equívocos no conhecimento da audiência, dificuldades em entender que o mundo mudou, a sociedade é outra e as necessidades informativas estão bem diferentes. Quem quiser manter a estratégia editorial em 2021 como se estivesse em 2010 vai entrar para esse mesmo clube.

A dificuldade em se manter a operação diária de um impresso não é exclusividade do Brasil. Até nos Estados Unidos, o fechamento de marcas tradicionais virou realidade. Em janeiro, no mesmo dia, os dois diários de Salt Lake City anunciaram o fim da edição em papel. The Salt Lake Tribune e o Deseret News seguem apenas no digital. Mas outras marcas conseguiram se reinventar a partir do entendimento da audiência. E de não ter medo de mudar.

O espanhol Diari de Sabadell, por exemplo, era um moribundo jornal centenário até 2017, quando uma empresa ousada (Novapress) o comprou. Na periferia de Barcelona, parecia impossível recuperar a marca, tamanha a concorrência e os novos hábitos da audiência. O Diari fez aquilo que parecia óbvio: bom jornalismo, olhando para a cidade (de pouco mais de 200 mil habitantes) e sua gente. Edições impressas alegres, que dão orgulho ao cidadão. Resultado: já em 2020, a empresa fechou no azul, apesar da pandemia. E tudo deu tão certo que a Novapress acaba de comprar o também centenário Diari de Terrassa, cidade vizinha. Ou seja, mais uma reforma criativa, valorizando o bom jornalismo, vem aí.

Naquele mesmo 2017, o Diário do Nordeste bem que tentou mudar — mas errou a mão. Reduziu o formato, de standard a tabloide, lançou um novo (e muito bem elaborado) projeto gráfico, mas esqueceu-se de mexer no mais importante: o modelo editorial. Houve um erro de avaliação, que agora paga seu preço. Era preciso reavaliar o papel do impresso na cesta de produtos do Grupo. Quando o digital assume funções que, historicamente, pertencem ao impresso, o posicionamento de um jornal de papel deve necessariamente ser outro.

O ano de 2021 recém começou. Quando se descobre que nenhum jornal brasileiro tem hoje mais de 100 mil exemplares por dia de circulação, é de se preocupar. Os três jornalões, por exemplo, apresentam circulações tímidas no impresso: Estadão, 80 mil, O Globo, 78 mil, e Folha SP, 65 mil, segundo o IVC de dezembro/2020. Ou seja, é mais do que necessário entender com urgência a nova função dos impressos – antes que morram por falta de leitores. Quem insistir com a fórmula surrada de “publicar notícias” estará correndo em direção ao clube dos sem papel.

O papel tem sentido, desde que se entenda o porquê de sua existência. A leitura relaxada e cômoda de uma publicação impressa exige conteúdos que transmitam essa sensação de prazer, e não tantas notícias inconvenientes. Isso já está nos meios digitais.

É preciso repensar a fórmula do jornal de papel. Ou assistir a agonia.

 Fonte: Meio&Mensagem