quarta-feira, 8 de setembro de 2021

 

Como os anunciantes podem aproveitar a ascensão dos Marketplace Ads?

Não adianta o anunciante dedicar parte de sua verba de comunicação para o canal, em uma campanha de awareness, se sua mídia própria dentro do mesmo não estiver adequada


3 de setembro de 2021

Tenho me deparado constantemente com o questionamento de marcas e anunciantes sobre a oportunidade do investimento em comunicação nos Marketplaces Digitais.

O canal, que tem vivido um boom nos últimos anos, acelerado pela pandemia de coronavírus, tem se mostrado não somente uma ótima opção para alavancar as conversões, aumentando as vendas e melhorando a performance, como também, mais recentemente, fundamental para compor o mix de comunicação no topo do funil, em suas estratégias de branding, especialmente para atingir um público em um momento que já está com o pensamento voltado para a compra.

Marketplaces como Mercado Livre, Amazon, B2W, Magazine Luiza, além de outros negócios como iFood e Rappi tem amadurecido e crescido suas verticais de publicidade no Brasil, oferecendo aos anunciantes a possibilidade de divulgar suas marcas em um canal que está cada dia mais nas mãos e na cabeça dos consumidores.

Todavia, o investimento em mídias pagas no canal, deve vir acompanhado de uma estratégia mais ampla de e-commerce, uma vez que, na maior parte dos casos, a relevância da comunicação de fato se realiza se todas as etapas do funil estiverem adequadas a experiência do marketplace.

Traduzindo, não adianta o anunciante dedicar parte de sua verba de comunicação para o canal, em uma campanha de awareness, se sua mídia própria dentro do mesmo não estiver adequada. Ou seja, se a descrição dos seus produtos, de suas fotos e a adequação de suas ofertas não forem condizentes com o que o consumidor está esperando.

Também do ponto de vista de mídia, além de comunicação oferecidos dentro da plataforma como banners, busca patrocinadas, landing pages, etc. alguns dos principais marketplaces como Mercado Livre e Amazon, oferecem a possibilidade de comprar mídia acessando sua base proprietária, rica na intenção de compra, em diferentes publishers.

Além disso, esta é apenas parte da experiência que o consumidor deseja em um marketplace. Para que o investimento em comunicação neste canal seja efetivo, a mídia conquistada dentro do canal também deverá ser relevante, e ela só virá se o anunciante estiver com uma boa reputação, com reviews positivos que recomendem os produtos, assim como da disponibilidade dos produtos no momento que o consumidor acessa as páginas e o prazo de entrega para que ele receba a mercadoria em casa.

Desta maneira, o anunciante que optar por investir em publicidade nos Marketplaces deve ficar atento com a qualidade do conteúdo em sua loja oficial e em suas páginas de produto, assim como assegurar uma boa experiência de compra, garantindo disponibilidade de inventário e entregas no prazo. Para muitas empresas essa dinâmica envolve a reorganização de sua estrutura de marketing e de sua cadeia de suprimentos.

Do ponto de vista de gestão de marketing, os anunciantes devem ter uma estratégia clara de como abordar o conteúdo e gerir as campanhas. Se já tem um canal de vendas diretas, estes devem replicar as melhores práticas adotadas no seu e-commerce para as lojas oficiais e páginas de produtos dos Marketplaces. Já se o anunciante vende online através de múltiplos stakeholders, como revendedores e distribuidores, uma política de comunicação e conteúdo específica voltada para o canal deve ser desenhada, além da criação de uma estrutura de governança para assegurar o controle das informações disponibilizadas.

 

Marketplaces como Mercado Livre, Amazon, B2W, Magazine Luiza, além de negócios como iFood e Rappi têm  crescido suas verticais de publicidade no Brasil (Créditos: Tima Miroshnichenko/Pexels)

Já no caso da gestão da cadeia de suprimentos, para assegurar uma boa experiência aos consumidores, os anunciantes devem se preocupar desde a organização de como os seus parceiros e distribuidores irão disponibilizar seus produtos nos marketplaces, bem como o relacionamento com as empresas de logística para garantir não só a disponibilidade, como também a entrega do produto no prazo acordado.

Por fim, para que de fato os anunciantes possam de fato aproveitar da audiência gigantesca deste novo canal, é fundamental que eles realizem um bom planejamento, entendendo as características distintas dos públicos de cada um dos marketplaces, incluindo o posicionamento de cada um deles e os que mais se adequa a sua marca para direcionar a verba de publicidade de uma maneira assertiva.

 

 

A culpa é de quem manda

Visão de curto prazo foi matando as grandes estruturas dos meios de comunicação, que acordaram tarde para o digital


2 de setembro de 2021

A  crise dos meios de comunicação não é tão complexa como parece. Desde a grande depressão de 2008/2009, os sinais estavam claros que a fórmula outrora infalível de publicidade + circulação, dos meios analógicos, tinha dias contados. A partir de 2015, todos os veículos do Brasil sentiram no bolso que a onda não era apenas uma marola. Muitos começaram a se afogar na maré digital um pouco antes.

Mas onde está o problema?

Na atuação conservadora dos gestores, sem dúvidas. Quando a audiência começou a diminuir, a primeira providência foi reduzir preço de assinaturas e incentivar promoções. Quando a publicidade também foi minguando, a solução parecia uma cópia: reduzir preço e fazer promoções. E, claro, cortar custos, para a conta fechar.

Essa visão de curto prazo foi matando as grandes estruturas dos meios de comunicação. Rapidamente os veículos tinham conteúdo irrelevante, audiência em baixa e publicidade subsidiada. Tudo o que sepulta um jornal, um canal de televisão ou uma rádio.

De repente, sem saídas, esses mesmos gestores determinaram a aceleração da “transformação digital”. Mas aí, salvo exceções que souberam montar uma estratégia a tempo, a decisão veio tarde. O mundo já estava digital, enquanto os veículos ainda estudavam a transformação, cuidando para não perder receita dos meios analógicos, em um absurdo medo de canibalização. Tremendo engano.

A consequência direta desse erro é o fechamento de marcas tradicionais e os balanços no negativo para a enorme maioria dos meios de comunicação. Só em 2021, pelo menos quatro impressos importantes deixaram de circular no Brasil. Todos tentaram enganar o leitor em um último e desesperado movimento, informando que deixaram o papel para serem modernos, para acompanharem a jornada da audiência. Mentira. Abandonam o papel porque não souberam entender para que serve o impresso. Ofereciam produtos antiquados, irrelevantes e sem valor – e queriam cobrar por isso.

 

Todos os veículos do Brasil sentiram no bolso que a onda não era apenas uma marola. Muitos começaram a se afogar na maré digital um pouco antes

Os bancos, por exemplo, entenderam que digital era realidade e abraçaram a causa. Perderam espaço para fintechs, mas agora fazem de tudo para manter a carteira de clientes – seguindo a cartilha dos serviços digitais, como manda a modernidade. Imobiliárias também facilitaram a vida dos clientes – e quase perderam a relevância, com o avanço dos classificados digitais. Agências de viagem quase sumiram, uma vez que a nova realidade das viagens é a relação direta companhia aérea/hotel/cliente, sem intermediários. Mas os gestores das empresas de comunicação insistiam – e ainda insistem – em dificultar a vida do cliente. E assim perdem espaço e assistem a lenta morte de suas marcas.

Ser digital não significa apenas colocar os conteúdos em um meio digital. Nem exagerar na exposição em redes sociais para colecionar mais “likes” e seguidores. Tudo isso não leva a nada. Sem uma bem definida estratégia, uma maneira inovadora de buscar receita, nada funciona. O exemplo largamente utilizado do The New York Times, que hoje tem oito milhões de assinantes, não vale para as demais empresas. Nunca se chegará a números parecidos fora de uma sociedade como a americana e sem um produto como o NYTimes. Não há espaço para concorrentes, simples assim.

Qual a saída, então?

1. Identificar o nicho de atuação, o público-alvo, e trabalhar para ele, conquistá-lo com relevância. Se houver esse grupo bem identificado e conquistado, as várias formas de receita estarão ao alcance da mão;

2. Adotar o espírito de startup, ou seja, ter o tamanho que o negócio exige. Nem mais, nem menos. Mas acabar com os pesos que uma empresa de comunicação costuma carregar;

3. Praticar o bom jornalismo, com ética, inteligência e opinião. Não ter medo de tomar posição e manter a coerência;

Tudo isso, aliado a uma gestão que não tem medo de mudar, é claro. Ter a visão clara sobre o negócio em que se está metido é o primeiro grande passo. O definitivo é admitir que o velho modelo de negócios acabou.

 

 

 

 

Jornal Lance! vende marca e ativos digitais por R$ 25 milhões

Veículo esportivo, que foi fundado em 1997, foi adquirido pelo investidor Gustavo Agostini e deve seguir com o noticiário somente o ambiente digital


3 de setembro de 2021

 

O jornal esportivo Lance!, que está em processo de recuperação judicial há dois anos e meio, teve sua marca e ativos digitais vendidos ao investidor Gustavo Agostini e a outras pessoas pelo valor de R$ 25 milhões. A informação foi, inicialmente, dada pelo jornal O Globo nessa quarta-feira, 1 de setembro.

Desde o início da pandemia, o jornal esportivo havia interrompido sua circulação impressa, passando a veicular as notícias somente na plataforma digital. À Folha de S.Paulo, o diretor do veículo, Afonso Cunha, disse que o veículo seguirá suas atividades no ambiente online e manterá cerca de 30 jornalistas na redação.

O Lance! foi criado por Walter de Mattos Jr. e circulou pela primeira vez em outubro de 1997 e, com a proposta de cobrir o cotidiano esportivo do País. A proposta, agora, é manter a publicação e o noticiário do veículo somente no ambiente digital.

 

 

 

Plataforma de compra de mídia quer agregar veículos off-line

PI Market, da Vértice Tecnologia, tem a proposta de unificar as ofertas comerciais de veículos tradicionais, como TV, rádio e OOH

Bárbara Sacchitiello
23 de agosto de 2021

 

Os veículos e plataformas digitais alteraram a forma como anunciantes e agências compram espaços publicitários ao apresentarem novas métricas e formatos para a inserção de anúncios de forma mais ágil e dinâmica. Para tentar levar ao meio tradicional a lógica e as vantagens do digital, a Vértice Tecnologia, empresa que atua há 30 anos no desenvolvimento de soluções, desenvolveu a PI Market, plataforma que se propõe a ser um marketplace de compra de mídia para os meios off-line.

A ideia surgiu da própria observação da diferença no sistema de negociações de espaços na mídia digital do ambiente tradicional. “Percebemos que, em comparação com as facilidades da mídia digital, o meio off-line acabou ficando um pouco para trás em relação à compra de mídia. É muito fácil, para um anunciante ou uma agência, fazer a compra de um espaço de mídia no ambiente digital. Nossa ideia foi levar essa facilidade para o ambiente da mídia tradicional, em uma plataforma única”, resume Marcos Fiore, fundador e presidente da Vértice Tecnologia.

A PI Market pretende se posicionar como um canal agregador do inventário de diferentes veículos, desde emissoras de TV e rádio até jornais e empresas de out-of-home. Ao disponibilizar suas opções de espaços publicitários na plataforma, os clientes ganham, na visão da empresa, uma oportunidade maior de gerar negócios. “A ideia não é substituir as áreas comerciais dos anunciantes e nem das agências, mas sim auxiliar o processo de compra de mídia que, muitas vezes, é bastante difícil ainda mais em um cenário tão fragmentado”, reforça Marcos Amazonas, consultor do projeto da Vértice Tecnologia.

A negociação dos espaços publicitários pode ser feita diretamente pela plataforma e a aprovação final do negócio dependerá da área comercial do veículo. Pelo sistema da empresa também é possível fazer previsões de alcance de audiência e monitorar o desempenho dos anúncios. Os profissionais explicam que, para os veículos que desejarem fazer parte da PI Market, não há custos. A plataforma é monetizada com comissões, que são cobradas dos anunciantes, quando a compra de espaços de mídia for, de fato, efetivada.

De acordo com Marcos Amazonas, a nova solução tende a auxiliar, sobretudo, os anunciantes, agências e veículos regionais, que muitas vezes encontram dificuldades para fazer veiculações publicitárias nos meios tradicionais de forma simplificada. “Esse é uma plataforma que pode também beneficiar os pequenos anunciantes, que muitas vezes desconhecem os caminhos para veicular nos meios tradicionais e, com isso, deixam de aproveitar oportunidades de expandir seus negócios”, frisa. Fiore complementa que a PI Market já fechou parceria com alguns veículos de comunicação e que, nessa fase inicial, a meta é expandir a base dos parceiros para que os anunciantes e agências encontrem mais opções de negociação.

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

 

“Podcast alavanca sustentabilidade do jornalismo”, diz Renata Lo Prete

À frente de “O Assunto”, que completa dois anos nesta quinta-feira, 26, âncora da Globo fala sobre as vantanges do áudio on demand

 

Bárbara Sacchitiello
26 de agosto de 2021

 

No dia 26 de agosto de 2019 o primeiro episódio do podcast “O Assunto”, que naquele dia passou a compor o portfólio de conteúdo do G1, trazia como tema as queimadas na região da Floresta Amazônica. Na ocasião, a jornalista e apresentadora do Jornal da Globo, Renata Lo Prete, conduziu entrevistas com a diretora de ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, Ane Alencar, e com o repórter do Fantástico, Álvaro Pereira Júnior, a respeito da situação na região e de seus impactos no meio-ambiente.

Daquele dia em diante, Renata seguiu, diariamente, ancorando diversos temas do Brasil e no mundo para produzir um formato que, com o passar do tempo, foi ganhando mais popularidade entre o público brasileiro, sobretudo nos quase 18 meses de vivência sob a pandemia de Covid-19. Uma pesquisa realizada pela Globo junto à Kantar Ibope, que ouviu mais de mil pessoas, apontou que 57% delas passaram a consumir podcasts durante a pandemia. Quem já gostava do mercado, passou a dedicar ainda mais tempo a ele: 31% declararam que, durante o último ano e meio, passaram a ouvir mais podcasts.

Globo: pandemia eleva consumo de podcasts

 

Na visão de Renata Lo Prete, quando se viram obrigadas a se isolar, as pessoas encontraram nos podcasts uma forma de companhia. “A oralidade é a primeira forma de comunicação. Bebês identificam sons antes mesmo de nascer. Por falarem ao pé do ouvido, os podcasts conseguem criar uma relação de intimidade com o público”, diz a jornalista.

“O Assunto” completa dois anos com a marca de 60 milhões de downloads, segundo a Globo. A âncora do projeto vê no formato do áudio digital uma oportunidade de o público, sobretudo os mais jovens, ampliarem seu consumo de notícias. “O podcast é uma alavanca para a sustentabilidade da indústria jornalística. Não é só porque o formato passou a fazer parte da rotina de milhões de pessoas, mas porque uma parte expressiva dessa audiência é formada por jovens, que andavam distantes do consumo de notícias em formatos mais tradicionais”, acredita a jornalista.


Outro aspecto destacado por Renata é a facilidade de consumo que o formato apresenta, permitindo que as pessoas ouçam o episódio enquanto se dedicam a outras atividades. “O áudio on demand contorna as barreiras do espaço-tempo que outras mídias enfrentam. O vento está a favor dos podcasts”, acredita.

 

O desempenho de “O Assunto” acabou levando a Globo a incrementar os investimentos em áudio digital. Além de criar uma área específica para o formato em sua estrutura, liderada pelo head Guilherme Figueiredo, a empresa ampliou o investimento na produção de podcasts próprios sobre diversos assuntos, além de firmar parcerias com outras empresas produtoras, como o B9. De janeiro a julho, a Globo colocou no ar 22 podcasts produzidos em parcerias e, até o final do ano, a previsão era dobrar essa quantidade.

Para o futuro de “O Assunto”, Renata pontua que a produção de conteúdo enfrentará os mesmos desafios que exigem um grau cada vez mais alto de responsabilidade do jornalismo profissional por conta do cenário que se apresenta no horizonte, composto pelos traumas da pandemia, crise do desemprego, proximidade do ciclo eleitoral e os ataques que a democracia vem enfrentando. “Temos de redobrar no podcast os cuidados com a curadoria dos temas e dos entrevistados a fim de garantir pluralidade e densidade informativa. Cada minuto de ‘O Assunto’ tem de valer a pena para nosso ouvinte”, finaliza.

Fonte: Meio & Mensagem

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

 

Bolhas ideológicas das redes sociais e a comunicação das marcas

Algumas companhias já começam a incluir na gestão de reputação, o monitoramento e a análise dessas bolhas e seus influenciadores, mas existem questões a ser levadas em conta


18 de agosto de 2021

Há alguns anos presente no trabalho de comunicação corporativa, a gestão de reputação nas mídias digitais ganhou um novo patamar de complexidade com o surgimento das chamadas “bolhas ideológicas”.

Didaticamente exposta no documentário Dilema das Redes, a formação dessas bolhas vem impactando cada vez mais na maneira com que as empresas são avaliadas por diferentes públicos.

Teorias da comunicação, como Two Step Flow of Communication, revelam exatamente como se dá esse fluxo. Diferentemente do que ocorria antes da internet, a notícia hoje passa pelo “filtro” do líder de opinião até chegar às pessoas. São inúmeros os exemplos disso.


Marcas que se posicionam diante de pautas sociais e políticas não raramente vêm desencadeando reações intensas – negativas e positivas, a depender da bolha – quase sempre influenciadas pelos formadores de opinião.

Não é por acaso que, na Copa América, um grupo de empresas patrocinadoras desistiu de ativar suas marcas no torneio. Evidentemente, a escolha não se deu pelo receio da repercussão nas bolhas de informação digital, mas sim por uma decisão de desvincular sua imagem de polêmicas que surgiram dias antes do campeonato. No entanto, é uma prova de que algumas organizações já estão atentas a esses espaços e as discussões que ali acontecem.

O fenômeno das bolhas é especialmente sensível às empresas que têm compromissos relacionados ao ESG, ou atuam num setor mais propenso ao surgimento de crises ou, ainda, às que possuem um posicionamento focado em temas como diversidade e inclusão.

 

Para dar um passo além, algumas companhias já começam a incluir na rotina da gestão de reputação, o monitoramento e a análise dessas bolhas e seus influenciadores. Para isto, porém, existem questões que ser levadas em conta:


Mapeamento é fundamental

É importante estar atento ao que é dito sobre sua empresa, sobre o mercado e os seus concorrentes, mas é de igual importância saber filtrar o que faz ou não faz sentido em termos de tomada de decisão de negócio. Quem está te elogiando ou criticando? Por quais motivos? São perfis relevantes ou robôs? Relativizar e analisar é necessário para não se assustar com o barulho gerado pelas bolhas e agir de forma precipitada.

 

Posicionamento é compromisso

Empresas que se posicionam de forma genuína são naturalmente mais visadas pelas bolhas virtuais das redes sociais, para o bem e para o mal. Saiba que, ao se decidir por defender uma questão, será necessário lidar com críticas e elogios e que qualquer movimentação corporativa será acompanhada de perto.


Entenda o caminho para se conectar com seu público por meio de influenciadores das bolhas

Quais são os formadores de opinião que estão pautando assuntos relevantes para o seu negócio nas redes sociais? Quem são os principais difusores das mensagens? Com quem estão conectados?

As organizações não precisam – e nem conseguiriam – estar atentas a todas as discussões que acontecem em todas as bolhas. Por isso é importante definir e se concentrar nas pautas que importam para o seu negócio. O universo da internet é enorme, e acredite, existem bolhas virtuais dedicadas a qualquer assunto, ou a quase todos.

 

Use os dados a seu favor

Os dados viraram commodities. Ainda são poucas as empresas que descobriram o real potencial de usar inteligência de dados para ir além dos dados brutos e extrair insights estratégicos que ajudem a ter uma visão 360 da reputação da companhia.

As bolhas ideológicas das redes sociais são um fenômeno recente, e adquiriram especial relevância na era onde se espera um posicionamento das empresas e seus líderes. Como em qualquer situação nova, os profissionais de comunicação estão aprendendo a lidar com esse universo.

O fundamental é não ignorar a importância desses influenciadores de opinião das bolhas. Trazê-los para a estratégia de comunicação tende a ser, cada vez mais, o caminho para entender e se conectar com a sua audiência de maneira orgânica, fortalecendo o posicionamento da companhia.

 

Fonte: Meio & Mensagem

 

A inevitável e poderosa retomada da propaganda

Não se trata apenas de uma retomada no refluxo da pandemia, mas algo bem menos transitório ou pontual

 17 de agosto de 2021 - 14h25

 Quem me acompanha sabe que, há anos, não tenho papas na língua para criticar o que considero desnecessários deslizes da nossa indústria no que tange ao seu próprio futuro e à necessidade de renovação dos modelos de negócio do setor.

Pois aqui vou fazer exatamente o oposto. Não por outra razão que não um choque de realidade: a propaganda e o marketing ganham atualmente força inequívoca e vivem um momentum que merece nosso olhar. E nosso entusiasmo.

Todas as grandes holding companies da publicidade global reportaram publicamente ganhos no último quarter. Sem exceção.

Podemos considerar que o setor vinha de um momento delicado – e vinha – e que esses ganhos são de reposição de posições, sim, ok, porém, os indicadores que temos à vista mostram, aparentemente, que não se trata apenas de uma retomada no refluxo da pandemia, mas algo bem menos transitório ou pontual.

Há dados nefastos e preocupantes também, como o fato de as cinco grandes do setor terem demitido cerca de 22 mil pessoas nos últimos meses. No entanto, friamente e apenas analisando na ótica da gestão empresarial, enxugar quadros, em que pese o terrível aspecto humano e social indiscutivelmente envolvido, pode muitas vezes ser a tomada de decisão dura, mas necessária em busca da superação das adversidades e da sobrevivência, pela sustentabilidade maior do negócio. E dos outros centenas de milhares de empregos que essa indústria oferece e mantém.

Dois outros sinais que gostaria de acrescentar aqui me parecem dignos de destaque: Procter & Gamble e Coca-Cola.

A Coca-Cola Co. atribuiu seu crescimento de mercado e bons resultados financeiros do segundo semestre deste ano a uma duplicação dos gastos com marketing. Os ganhos foram significativos e surpreenderam os analistas de Wall Street.

O banco de investimentos Cowen, especialista norte-americano em previsões para empresas com ações em bolsa, projetava um crescimento de receita de 27% no segundo trimestre do líder mundial em participação de mercado em refrigerantes, mas a Coca-Cola registrou um crescimento de 41% no período encerrado em 2 de julho.

“Reuniões sociais mais frequentes e viagens crescentes e atividades de eventos levaram a uma demanda significativamente maior por nossas marcas em canais fora de casa – enquanto os volumes em casa permaneceram robustos, levando a ganhos de participação de base ampla no trimestre”, disse a analistas financeiros dias atrás o presidente e CEO James Quincey.

A empresa dobrou seus gastos com marketing em relação ao trimestre do ano anterior, de acordo com Quincey.

Outro indicador na mesma linha veio da Procter & Gamble.

A Procter & Gamble informou vendas líquidas de US$ 76,1 bilhões no período trimestral, um incremento de 7% em relação a 2020. O presidente e CEO da companhia David Taylor defendeu vigorosamente os gastos de marketing da empresa, que aumentaram US$ 850 milhões – 11,6% no ano fiscal – para US$ 8,18 bilhões, creditando a eles os resultados positivos da corporação.

Taylor foi adiante: atribuiu diretamente o crescimento da receita da P&G nos últimos cinco anos – um aumento de 2% a 6% ao ano – aos investimentos em marketing que divulgavam as inovações da empresa: “Você tem que ajudar os consumidores a entender o que é o produto, como usá-lo e, em seguida, ajuda a gerar consciência e julgamento. E esses investimentos fizeram isso”.

Já o diretor financeiro da companhia, Andre Shelton, advertiu que o mercado espere o aumento dos gastos com publicidade da P&G continuar: “Não chegamos ao ponto de diminuir os retornos sobre esses investimentos. Portanto, continuaremos investindo em cerca de … 8% das vendas”, declarou.

 

Essas empresas – e podemos somar aí a P&G, como ficou registrado semanas atrás no Meio & Mensagem, em entrevista de Marc Pritchard, chief brand officer do maior anunciante global – estão todas hoje preocupadas com a assertividade e alta eficácia de cada centavo investido em marketing e comunicação. Muito mais do que sempre.

Todas arrocharam forte seus investimentos nos últimos anos, em busca da eliminação de desperdício e maior acuracidade na busca do ROI.

Shelton não deixou de observar esse aspecto, tendo declarado publicamente que prevê melhorias de produtividade significativas na eficácia do gasto de mídia “para melhorar a qualidade e a quantidade de alcance”, com base na “mudança para a mídia digital, capacidade de segmentação aprimorada com públicos primários ou de terceiros” e “a capacidade de aguçar nosso foco, mesmo nas audiências de TV com nossos próprios dados … Também estamos nos esforçando para melhorar os custos de produção e a estrutura da agência”, acrescentou.

Ou seja, olhando para todos os lados, em busca de mais em cada item do marketing mix.

Estamos agora vivendo um momento de retomada dos aportes porque as companhias percebem que o corte indefinido e recorrente das verbas de marketing são, no médio e longo prazos, um péssimo negócio. E que, ao contrário, se as verbas são precisas e administradas com excelência, sua eficácia é indiscutível.

A retomada das economias globais e esse mindset dos líderes de marketing em todo o mundo deverão constituir um cenário de retomada de propaganda em todo lugar. No Brasil, não terá por que ser diferente.

 

Fonte: Meio & Mensagem / Pyr