terça-feira, 9 de abril de 2019


Jornal do Commercio, do Recife, completa 100 anos de credibilidade jornalística nesta quarta-feira (3)
 02 Abril 2019

O Jornal do Commercio, uma das publicações impressas mais tradicionais do Nordeste e de maior circulação na região, completa 100 anos de existência nesta quarta-feira (3), comemorando uma reputação conquistada por meio do exercício de um jornalismo de alta qualidade, a serviço de seus leitores. O passado de conquistas, desafios e também de dificuldades do diário pernambucano, disse o presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Marcelo Rech, forma um grande passaporte para o futuro. “É a solidez de um passado de muita atividade jornalística, de credibilidade e de ética que garante a oportunidade de continuar consolidando a relação de confiança com o público, o bem mais precioso das sociedades atualmente.”
Rech assinalou que a confiança não se estabelece da noite para o dia. “É conquistada dia a dia, ano a ano, década a década e, agora no caso do Jornal do Commercio, um século”, afirmou. A credibilidade do diário, não apenas em Pernambuco, mas em todo o Brasil, é o principal pilar para que o veículo continue atuando por muito mais tempo, talvez com mais um século pela frente, ressaltou o presidente da ANJ. "Esse passado assegura um passaporte na crença de que os melhores valores jornalísticos vão estar sempre embalando os conteúdos do Jornal do Commercio em todos os seus formatos de distribuição.”
O diário circulou pela primeira vez no dia 3 de abril de 1919, com 12 páginas, composto em linotipo, processo de impressão utilizado na época. Trazia uma única foto na primeira página: Epitácio Pessoa, candidato a presidente da República. Ao longo de sua história, obteve grandes êxitos, mas também passou por crises e chegou a deixar de circular, em 1987, por 40 dias.
Reerguido após ser comprado pelo empresário João Carlos Paes Mendonça, informou o jornal Folha de S.Paulo, o jornal acumulou prêmios nacionais e conseguiu se consolidar como líder de circulação e de número de assinantes na região. Nos últimos 30 anos, conquistou, entre outros, 12 prêmios Esso, quatro Vladimir Herzog e dezenas de concursos jornalísticos locais e regionais. Em 2009, o jornal venceu a categoria nacional do Esso com o caderno especial "Os Sertões", que marcou o centenário da morte do jornalista e escritor Euclides da Cunha. Também venceu o prêmio na categoria de melhor fotografia com a imagem de uma criança que ficou cega por causa da desnutrição.
Dois anos depois, uma reportagem sobre os vários problemas sociais e econômicos do arquipélago de Fernando de Noronha, em Pernambuco, intitulada “O paraíso às avessas”, levou o Jornal do Commercio a ganhar o Esso regional, relatou a Folha de S.Paulo. No ano seguinte, com o caderno especial “Reencontros”, que narrava as mudanças ocorridas na vida de personagens já entrevistados pelo jornal ao longo dos anos, ganhou novamente a premiação.
A data será celebrada em dois momentos. Na noite de terça-feira (2), no auditório do Jornal do Commercio, houve uma palestra com o ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Ayres Britto, sobre democracia e liberdade de expressão, além de um jantar no centro da capital pernambucana.
A relevância da marca 
Na manhã desta quarta-feira (3), o Jornal do Commercio promove, ao lado da ANJ, uma conversa com diretores de redação do Zero Hora (RS), Correio do Povo (RS), Gazeta do Povo (PR), Correio da Bahia (BA), Gazeta do Espírito Santo (ES), O Povo (CE) e Diário do Nordeste (CE). O objetivo do encontro, Marcas Além do Papel, é debater a relevância das marcas que nasceram como diários impressos e hoje produzem conteúdo para diferentes plataformas.
“Em um momento como esse, de difusão de fake news, é importante reforçar a tradição e a relevância das marcas que vieram de um jornal impresso, acreditam no jornal impresso e agora vão muito além. Vamos mostrar o que cada um está fazendo no presente e como estão pensando o futuro”, afirmou Laurindo Ferreira, diretor de redação do Jornal do Commercio, ao jornal O Estado de S.Paulo. 
“Nesse tempo em que todo mundo constrói uma verdade, as marcas têm obrigação de fazer checagem, de produzir conteúdo de qualidade, confrontar ideias, adicionar pontos de vista e enriquecer os debates. Queremos mostrar que informação de qualidade e de credibilidade tem marca”, disse.
Ferreira explicou que o desafio atual do Jornal do Commercio é a integração entre as mídias do grupo. Fazem parte do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação, além do diário impresso, o portal NE10, a Rádio Jornal e a TV Jornal. No total, são 682 profissionais, dos quais 162 jornalistas. 
“Nosso desafio é entregar conteúdo de qualidade na plataforma que o consumidor desejar. Se é no rádio, temos que estar lá. Se é no jornal impresso, é lá. Por isso chegamos a 100 anos e estamos certos de que vamos continuar”. 
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sábado, 30 de março de 2019


La caída del periodismo del algoritmo
El cambio de criterio de Facebook ha precipitado la primera crisis de los medios nativos digitales en apenas un año
/03/2019 00:05Actualizado a24/03/2019 11:54
Hace poco más de un año, Mark Zuckerberg sembró el pánico en muchos medios de comunicación cuando anunció un cambio del algoritmo de Facebook para primar “interacciones sociales más significativas”. Los temores eran fundados. Solo en EE.UU. se han perdido un millar de empleos en lo que va de 2019 y en España han cerrado Eslang y la delegación de BuzzFeed, y ha habido 60 despidos en PlayGround, en lo que se considera la primera crisis de los medios nativos digitales, que se atribuían la renovación del periodismo tradicional.
A nivel internacional, Vice Media prescindió de 250 trabajadores, el Huffington Post recortó un 20% de la plantilla y Buzzfeed el 15% (unos 200 empleados), pese a que facturó 300 millones de dólares en 2018. No ha habido piedad ni para periodistas como Cates Holderness, que lanzó una de las piezas más virales de Buzzfeed –la del vestido que era posible verlo de dos colores– en el medio que popularizó las listas, los cuestionarios y los títulos que animaban al clic fácil.
Modelo em cuestion
La cuestión de fondo tras el ajuste es si existe un modelo rentable para las noticias digitales. Los medios nativos online se arrimaron a los gigantes tecnológicos y se adaptaron a sus gustos para ganar audiencia pero a la vez quedaron expuestos al vaivén de los algoritmos. No solo el de Facebook. Google también realizó dos cambios significativos en el suyo en 2018, uno para dar visibilidad a los vídeos en las búsquedas.
La apuesta
Los médios nativos online se arrimaron a los gigantes tecnológicos y se adaptaron a sus gustos para ganhar audiência pero a la vez quedaron expuestos al vaivvén de los algorismos
“No se ha planificado el crecimiento al ritmo de los beneficios y hemos pagado el pato”, afirma Marcos Chamizo, que fue director artístico en el canal español de BuzzFeed. Las exigencias de un retorno rápido de la inversión del capital riesgo también fueron determinantes en este medio.
PlayGround, a principios de 2018, presumía de ser el medio de habla hispana con más visualizaciones de Facebook. En febrero de este año despidió al 50% de su plantilla. “Facebook nos encumbró y luego nos hundió”, admite un cargo intermedio que prefiere conservar el anonimato. “Pero no fue el único problema, también hubo mala gestión”, añade.
“Facebook ve a los médios como clientes y competidores; es uma alainza antinatural” opina Ferran Lalueza
“Siempre ha sido una alianza antinatural, pues Facebook ha visto los medios como un potencial cliente y, desde el punto de vista publicitario, como un competidor”, valora Ferran Lalueza, profesor de la UOC y especialista en Social Media.
Campbell Brown, directora de asociaciones de medios globales en Facebook, lo dejó claro cuando reconoció, en una charla de la Sociedad Americana de Editores de Revistas, que la red social “por su naturaleza, cambia constantemente y no es confiable”.
Esta crisis coincide con el éxito de los muros de pago y las suscripciones digitales de medios tradicionales como The New York TimesThe Washington Post o The Atlantic, pero también de modelos de donaciones como el de The Guardian británico.
 “La prensa cometió el error, al principio, de regalar el contenido, y es muy difícil hacer marcha atrás pero sí o sí hay que instaurar muros de pago, no se puede continuar con la gratuidad de ahora”, asegura Àngel Bonet, autor del libro El tsunami tecnológico.
Bonet, experto en innovación y marketing, advierte que en el periodismo “el proceso se deformó, quien se lleva los beneficios es el distribuidor y no el productor”, y augura que “en treinta años, el sector se parecerá al de ahora como un huevo a una castaña”
La viralidad y las “fake news”
La otra crisis que atenaza el futuro de los medios viene provocada por la proliferación de fake news. Cada vez hay más iniciativas de fact checking para verificar artículos. La agencia de noticias France Press acaba de anunciar la extensión de su canal Factual a España y Facebook cada vez dedica más recursos humanos y económicos para formar grupos de detectores de noticias falsas. La Vanguardia ha creado un equipo de fact checking, que de momento centra sus esfuerzos en informaciones sobre la Unión Europea.
Pero hay temores, como el anuncio de fusión de Facebook, Messenger y WhatsApp, todas controladas por Mark Zuckerberg. “WhatsApp es peor para las ‘fake news’ porque te da la sensación de más confianza; en Facebook al menos la presión social obliga a actuar contra los bulos, pero conociendo la trayectoria de Facebook, la integración asusta”, pondera Ferran Lalueza, experto en redes sociales.
La búsqueda de la viralidad también influye en la agenda política. Trump, Bolsonaro y otros dirigentes mundiales lo han aprovechado. Ahora beneficia en España a Vox, que goza de gran exposición mediática pese a ser una fuerza extraparlamentaria.


sexta-feira, 29 de março de 2019

Gigantes de tecnologia podem contribuir para o financiamento da imprensa, mas patrocínio direto é um risco à independência jornalística

A concorrência da imprensa com Google e Facebook é desigual, com larga vantagem para as empresas de tecnologia. A indústria jornalística luta diariamente para tentar equilibrar o jogo desmedido da publicidade digital. Mas há portas para parcerias, muitas delas abertas pela pressão social por regulação do duopólio online ou até pelo entendimento de que as gigantes da web podem acabar não sobrevivendo sem o jornalismo. Mesmo assim, os publishers precisam manter de molho todos os fios de suas barbas, alerta a diretora do Centro Tow para o Jornalismo Digital, da Universidade Columbia, Emily Bell.
Uma das iniciativas mais recentes é o projeto do Google denominado Local Experiments Project, em parceria com a McClatchy Company, proprietária de vários jornais nos Estados Unidos. O principal objetivo, conta Emily, é incentivar o a criação publicações digitais sustentáveis em cidades norte-americanas com menos de 500 mil habitantes, regiões onde o jornalismo mais sofreu nos últimos anos a partir da queda de anúncios digitais, concentrados nas empresas do Vale do Silício.
“Isso marca uma mudança na rapidez com que o negócio de notícias está sendo absorvido nas franjas das grandes empresas de tecnologia”, avalia a diretora do Centro Tow. “Pela primeira vez, uma grande empresa de tecnologia está trabalhando diretamente com executivos de notícias para criar uma operação de notícias local, que se propõe a financiar”.
Craig Forman, executivo-chefe da McClatchy, descreve o esforço, a ser realizado ao longo de três anos, como uma verdadeira "colaboração" na qual a equipe da empresa jornalística trabalhará com especialistas do Google. Embora a empresa de tecnologia de propriedade da Alphabet “ajude a apoiar financeiramente o esforço”, escreveu Forman em um comunicado de imprensa no blog do Google, “os sites serão 100% controlados pela McClatchy, que manterá o controle editorial exclusivo e a propriedade do conteúdo”. O Google, enfatizou a jornalista, não terá participação ou envolvimento em nenhum esforço editorial ou tomada de decisão.
Emily Bell, entretanto, ressalta que é difícil saber como será ter especialistas do Google colaborando com a equipe da McClatchy sem qualquer contribuição editorial. “Todos que construíram um produto de notícias de sucesso online sabem que a arquitetura técnica, as ferramentas, o software e a análise aplicada ao jornalismo acabam, inevitavelmente, moldando aspectos do conteúdo editorial”, diz. Na realidade, continua ela, este é um dos erros mais comuns nas redações: incapacidade de integrar adequadamente o “produto” à redação ou de levar em conta o ambiente tecnológico em que eles estão publicando.
Apesar de todos os problemas que apresenta e do seu gigantismo que tanta dificuldade causa à imprensa, nenhuma empresa fez mais para financiar e apoiar o jornalismo na última década do que o Google, reconhece Emily. A expansão para os Estados Unidos de iniciativas que envolvem mais de cem milhões de euros em inovações de notícias na Europa, até agora incluiu investimentos de alto perfil no Report for America, e agora na McClatchy, afirma Emily.
Agora, nada vem de graça, e diretora do Centro Tow para o Jornalismo Digital não hesita em questionar: O que o Google quer ao influenciar o que as redações escolhem para desenvolver em suas estruturas, da realidade virtual à voz habilidades, para bibliotecas de fotos? O questionamento tem de ser feito, diz Emily, mas ao mesmo tempo é verdade que o Google tem atuado de forma muito melhor do que alguns de seus concorrentes, principalmente o Facebook, em relação à imprensa. “Isto é em parte porque é mais maduro e lida melhor com as relações com a imprensa (não tentou esconder suas próprias campanhas de influência, por exemplo). E também gasta mais dinheiro, ainda que isso não reduza a dissenção”, afirma e diretora do Centro Tow.
Emily explica que a investida do Google no jornalismo local não é apenas uma questão de ajuda. Quando a empresa lançou o fundo Digital News Initative (DNI) na Europa, conta ela, foi uma resposta direta à pressão dos reguladores da União Europeia. “O dinheiro foi alocado de um orçamento de marketing e representou um exercício de lobby”. Agora, o Google está transferindo seus esforços de financiamento direto para os Estados Unidos, justamente quando começam os primeiros movimentos para as eleições presidenciais de 2020, a regulação das empresas digitais está na agenda como nunca antes e, além disso, afirma Emily, há pelo menos uma candidata séria, Elizabeth Warren, e há muito tempo são uma área de interesse para a outra, a também democrata Amy Klobuchar.
“A rapidez das empresas de tecnologia preocupadas com a estabilidade financeira do jornalismo não é de todo coincidência”, destaca Emily. Facebook, Apple e Google, frisa a estudiosa, fazem coisas que os jornalistas deveriam estar investigando, e não lucrando. O Google negocia com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, e tenta encobrir, o Facebook paga e traumatiza os funcionários que lidam com conteúdo ofensivo na lista negra, a Apple trabalha com regimes que rotineiramente prendem jornalistas e constroem concentração étnica acampamentos. “Todos os três têm estratégias para administrar a imprensa, e publicam muito poucos dados sobre o que acontece em suas plataformas ou qual é o efeito disso, fazendo com que os relatórios de tecnologia sejam uma forma vital de responsabilidade”.
O que há de novo é a aceitação de financiamento do Google e do Facebook em todo o setor, em meio ao financiamento de jornalismo independente em nível local em particular. E há pessoas que ganharam dinheiro com a tecnologia que, às vezes, o utilizam para apoiar o jornalismo; Jeff Bezos foi saudado por sua salvação e ressurreição do The Washington Post; Laurene Powell Jobs apoia e expande o The Atlantic; Craig Newmark (que fundou a Craigslist) financia escolas de jornalismo e pesquisa, incluindo partes da Columbia Journalism Review e o Centro Tow.
Em todas essas operações, afirma Emily, a transparência e o comprometimento com a independência editorial do financiamento possibilitam relacionamentos um tanto confortáveis. Mas quando se trata de interesses corporativos, os jornalistas precisam estar atentos a agendas em conflito com as suas próprias. O apoio da tecnologia ao jornalismo de maneira totalmente independente é possível, por meio de impostos e a expansão da mídia cívica, por exemplo. “Se isso pode ser feito com o sistema direto de patrocínio que o Google está oferecendo permanece altamente improvável”, assinala Emily.
Leia mais em:
https://www.cjr.org/tow_center/google-facebook-journalism-influence.php

sábado, 9 de fevereiro de 2019


NY Times quer 10 milhões de assinantes até 2025
Nova meta é anunciada em balanço de 2018, que revelou também recorde de publicidade digital, pela primeira vez maior que anúncios impressos


A New York Times Company divulgou na manhã desta quarta-feira, 6/2, seu resultado anual de 2018 e, junto a ele, uma nova meta para a empresa nos próximos anos. Agora, a empresa planeja chegar a 10 milhões de assinantes, entre print e digital, até 2025. Hoje, são 4,3 milhões.

O anúncio veio à reboque dos U$ 709 milhões de receita em digital conquistados em 2018, o que representa, segundo o CEO Mark Thompson, um ritmo de crescimento acima do esperado. “Isso significa que em apenas três anos já atingimos três quartos de nossa meta de cinco anos para dobrar nossa receita digital, para US$ 800 milhões até 2020”, disse, colocando a nova meta.
Só em digital, hoje o grupo possui mais de 3,3 milhões de assinantes pagos, entre produtos como jornal, palavras cruzadas, aplicativos gastronômicos e outros. Foi um crescimento de 18% na comparação com 2017, chegando a uma receita de US$ 400 milhões no ano passado. Anúncios em digital também cresceram 8,6% e chegaram a US$ 259 milhões.
Especialmente no quarto trimestre, o New York Times chegou a US$ 103 milhões de publicidade digital, o que também representou um marco: pela primeira vez a receita com esse tipo de anúncio superou o impresso, que teve receita de US$ 88 milhões no período e queda de 10%.

A receita geral da empresa foi de US$ 1,74 bilhão em 2018, crescimento de 4,4% na comparação com o ano retrasado. O lucro operacional foi de US$ 190 milhões, crescimento de 7,7%.
Segundo a empresa, as conquistas recentes têm propiciado o reinvestimento na redação e operação, entre outras áreas. O comunicado aponta que hoje a empresa tem o maior número de jornalistas empregados de sua história, com 1,6 mil profissionais.
Como o NYT transformou o digital em receita?
Representatividade de assinaturas digitais do jornal indica, segundo analistas, saídas para a queda de receita publicitária
Os dados divulgados na última quarta-feira, 8/2, sobre os resultados do segundo trimestre nas receitas do New York Times indicam algumas questões relacionadas à rentabilização no ambiente digital. Ao comentar os resultados, Mark Thompson, CEO do NYT, afirmou que o jornal deve chegar em breve ao marco de 4 milhões de assinantes e agradeceu, especialmente, aos assinantes digitais. O título fechou o mês de junho com 3,8 milhões de assinaturas, essa fonte de receita, inclusive, já representa 62% do faturamento do NYT ante 50,5% de cinco anos atrás.

Do montante de assinaturas, 2,8 milhões vêm da versão digital. Desde o fim de 2016, período pós-eleitoral nos Estados Unidos, o NYT conquistou 1 milhão de novos assinantes digitais. As receitas de assinaturas digitais somaram US$ 99 milhões, alta de 20% na comparação com o mesmo período de 2017. A receita total da empresa no trimestre foi de US$ 415 milhões, alta de 2%, com um lucro de US$ 24 milhões. “Em breve, vamos passar os 3 milhões de assinantes digitais e 4 milhões no total”, disse Thompson. Ele reforçou, no entanto, que o resultado do período foi menor do que nos últimos trimestres.
 “Esses números mostram uma marca de jornal que tem chances de converter leitores e receitas para o universo digital. Ainda há um desafio enorme de garantir que ‘dólares analógicos não virem centavos digitais’ (como disse o Jeff Zucker, CEO da NBCi). Outro ponto é que marcas analógicas podem criar novos produtos no universo digital, como o podcast The Daily, e extrair valor deles (assinaturas e publicidade). Ou seja, vejo que a vida seguirá muito difícil para a empresa, mas detecto um trabalho consistente que pode fazer ela sair do outro lado do túnel”, diz Bob Wollheim, fundador da The B Network.
Antonio Rocha Filho, professor de jornalismo da ESPM, entende que em um momento em que os negócios dos grupos de comunicação tradicionais passam por grave crise de financiamento em todo o mundo o resultado do NYT pode ser um indicativo de que há saída para a queda de receita publicitária no meio impresso.
“O resultado também traz embutido o significado de que a população em um ambiente de caos de desinformação, com as chamadas fake news, está disposta a pagar por informação de qualidade, que pode ser obtida por meio do jornalismo profissional”, afirma Antonio.
Rodrigo Tigre, CEO da RedMas, diz que muito se discute sobre conteúdo pago na internet, “mas a verdade é que os veículos tradicionais criaram desde o início essa sensação de que o conteúdo é gratuito e ficaram presos por muito tempo em modelos antigos. As pessoas estão sim interessadas em pagar por conteúdo, desde que vejam valor nisso.” Já Rodrigo Souto, gerente de marketing da HubSpot para o Brasil, entende que o crescimento do New York Times através de assinaturas digitais serve como mais uma demonstração que algumas indústrias podem sobreviver sem uma forte presença digital, “mas elas estarão apenas sobrevivendo, não prosperando.

”Não é uma surpresa que o NYT se adiante a esse movimento. O jornal começou a migração para o cenário digital investindo em podcasts, o que foi uma estratégia muito importante para atrair o público jovem. Vale ressaltar que o leitor norte-americano enxerga o valor do conteúdo com qualidade e entende que ele pode continuar existindo, mesmo sendo pago. Trazendo para o mercado brasileiro, temos alguns desafios: fazer com que o leitor valorize e pague por isso e que os produtores de conteúdo não percam o foco em manter a qualidade em todas as mídias”, diz Marcio Cavalieri, CEO da RMA Comunicação.

Se o NY Times vai bem, por que o resto não?
A mudança importante veio da fonte de recursos, não da plataforma: mais de 60% das receitas chegam por investimento da audiência e menos de 30% de publicidade

 Não há encontro internacional de jornalismo em que não se cite o The New York Times como exemplo de um meio tradicional que soube se reinventar. São tantos os acertos e a quantidade de casos de sucesso, que fica quase impossível falar de inovação em meios de comunicação sem falar da “Velha Senhora”, com seus mais de 160 anos de idade.
Mas atenção: nem mesmo o “benchmark” mais conhecido do mundo conseguiu promover a virada estratégica, ou seja, passar a ter mais receitas originadas no Digital do que no Papel. Mais de 50% do dinheiro que paga as contas do The NYT ainda vem das páginas do impresso. A mudança importante, porém, veio da fonte de recursos, não da plataforma: mais de 60% das receitas chegam por investimento da audiência e menos de 30% de publicidade. Isso quebra a lógica perversa que mantinha as empresas de comunicação pelo mundo.

A dependência da publicidade, ainda realidade em 99% dos meios de comunicação do Brasil, tem riscos enormes. Pior, se o anunciante for governo – como é habitual em cidades pequenas – a separação Igreja/Estado costuma não funcionar. E a qualidade do conteúdo, ao fim e ao cabo o maior ativo de uma empresa de comunicação, vai por água abaixo.
A estratégia do The NYT é simples – e pode ser copiada por qualquer meio de comunicação: o conteúdo publicado nas plataformas disponíveis (impresso, digital, podcast, vídeos, redes sociais) precisa ser ótimo. Precisa ter muita qualidade. Precisa ser tão bom (e exclusivo) que uma pessoa pagaria para recebê-lo. Simples assim. É claro que qualidade custa caro. E boa opinião também. Mas não há como vender conteúdo commodity ou opinião “meia-boca”. Isso não tem valor algum.
Outra diferença que incentiva meios pequenos e médios a desistirem da estratégia de cobrança da audiência é achar que seu público-alvo é pequeno, sua audiência em potencial. Isso por um lado é verdade, mas por outro não faz sentido. A comunidade pagadora em potencial se forma ao redor de conteúdos relevantes. Mais, a digitalização permite que o limite não seja mais geográfico, e sim de interesses informativos.
Portanto a solução é não desistir. E ter muito clara a estratégia de que a maior fonte de receitas é a audiência, não a publicidade. E então produzir conteudos para essa audiência. Produtos sob medida. E um conteúdo da melhor qualidade, irresistível. Aí será possível cobrar por ele.


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019


Com foco em digital, Gazeta do Povo completa 100 anos
O centenário jornal celebra data destacando pioneirismo ao encerrar versão impressa e investir R$ 20 milhões em soluções online

Após mudança para o digital, veículo investiu mais de R$ 20 milhões em tecnologia,
O Jornal a Gazeta do Povo comemorou 100 anos de história neste domingo, 3. Para comemorar a data, a publicação produziu um conteúdo especial em suas plataformas contando a evolução do veículo. Atualmente, o jornal paranaense atinge mais de 208 milhões de usuários, segundo números internos.
Fundada pelos advogados Oscar de Plácido e Silva e Benjamin Lins, em seu conteúdo especial a publicação também destaca seu pioneirismo em jornalismo online. Em 2017, decretou o fim do jornal impresso e migrou para o digital, mantendo uma revista semanal para os assinantes. Desde então, a marca afirma ter investido mais de R$ 20 milhões em tecnologia e estratégias para entender o público do veículo.Durante as eleições de outubro de 2018, a Gazeta do Povo registrou 33,7 milhões de visitantes, tornando-se o jornal mais lido do País no período, citando números da Comscore.
Durante a celebração de seu aniversário, a publicação oferece aos assinantes uma edição especial em formato standard para homenagear a história do jornal e uma linha do tempo ilustrativa em seu site.

domingo, 27 de janeiro de 2019


Editoras pedem que Cade reconsidere decisão sobre venda da Abril
Globo, Ediouro, Panini, Três e EBR entraram com pedido ao Conselho alegando questões concorrenciais
As editoras Globo, Ediouro, Panini, Três e EBR entraram com pedido no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para que possam ser consideradas como parte interessadas no processo de análise da compra do Grupo Abril pelo empresário Fábio Carvalho, anunciada em dezembro de 2018. A informação foi publicada na edição desta quarta-feira, 23, da Folha de S.Paulo.

A transação entre Abril e o empresário teve o aval do Cade na segunda semana de 2019. Ainda assim as editoras alegam que a aprovação dada pelo órgão foi precipitada e deixou de considerar os efeitos concorrenciais do negócio.
As empresas protocolaram no dia 18 de janeiro um documento pedindo que o Cade as considere como parte interessadas na questão para que, dessa forma, possam dar seu parecer a respeito da questão concorrencial. De acordo com a reportagem da Folha, as editoras alegam, no pedido, que a Abril monopoliza a distribuição de revistas e que suas concorrentes têm sido prejudicadas por atrasos de pagamentos.


Forbes e NYT testam inteligência artificial e voz
Revista passa a utilizar IA em seus processos de apuração e jornal começa a distribuir conteúdo via Alexa; no Brasil, G1 já faz testes com o Assistant, do Google
Luiz Gustavo Pacete

A Alexa, da Amazon, será a entrada do NYT na distribuição de conteúdo via voz
O uso de sistemas de inteligência artificial e assistentes de voz chegou, de forma mais intensa, ao jornalismo. O New York Times anunciou que passou a testar o resumo de notícias diários via Alexa, assistente pessoal da Amazon. A habilitação do serviço deve ser feita pelos próprios usuários e, uma vez liberados, devem apenas pedir “Alexa, quais são as notícias? ”. Durante as sextas, o NYT oferecerá um quizz aos usuários sobre as notícias da semana e, aos domingos, um resumo do noticiário.
A oferta não será apenas de notícias, haverá também espaço para listas como, por exemplo, lugares para conhecer ou recomendações de música. “É o início de uma nova maneira de utilizar a tecnologia de voz não só na oferta de conteúdo, mas também em outras formas de produtos e serviços”, disse, em comunicado, Monica Drake, editora-assistente do NYT. Na semana passada, durante a CES, Mark Thompson, CEO do NYT, ao anunciar uma parceria com a Verizon para o uso de 5G, ressaltou a importância de testar novos formatos na entrega de conteúdo.
Alguns dias antes, o site Venture Beat mostrou que os jornalistas da Forbes passarão a testar o sistema de inteligência artificial ao escreverem textos e desenvolverem processos de apuração. Por exemplo, ao contextualizar uma história, o sistema complementa com links e o que já foi escrito sobre o tema. Além de poder ajudar na escolha de imagens que melhorem a audiência da matéria. Outros veículos já testaram o uso de inteligência artificial em seus processos, entre eles, o The Washington Post, The Associated Press e Los Angeles Times.