quinta-feira, 31 de agosto de 2017

O papel do líder nas empresas líderes em lealdade


Conteúdo baseado em apresentação realizada no I Seminário sobre Lealdade de Assinantes, nos dias 24 e 25 de Maio de 2004, com o apoio da ANJ

“Devemos levar em conta que nada há de mais difícil, nem de sucesso mais duvidoso, nem mais arriscado, do que estabelecer uma nova ordem.” 
                 Nicolau Maquiavel (O Príncipe, 1513)

A Importância do Papel do Líder

“O centro de gravidade da lealdade nos negócios é a integridade pessoal da equipe de liderança senior, bem como sua capacidade de colocar seus princípios em prática.”   
                                                        Frederic Heichheld

4Cabe aos líderes indicar o caminho no sentido da lealdade, sendo os principais agentes de mudanças, através de exemplos e de ações concretas nessa direção.

4Os valores da organização devem ser de conhecimento de todos.

4A cultura da lealdade deve ser exemplificada através de casos reais divulgados.

4Lealdade é compromisso com o futuro. Os líderes terão que decidir sempre a favor da lealdade, mesmo quando isso significar escolher a favor de lucros de longo prazo em prejuízo de lucros fáceis momentâneos.

4Os líderes devem promover a mudança na cultura organizacional em prol da lealdade.

4Os líderes devem autorizar os investimentos necessários para que a “nova empresa” possa ser viável.

Os desafios do líder para a mudança na Indústria de Mídia Impressa

4A mentalidade do crescimento rápido, que reflete de certa forma a natureza do tipo de indústria, mais reativa que pró-ativa, com inúmeras atividades de curto-prazo

4Pouco planejamento a longo prazo

4Visão imediatista por resultados

4Visão “de dentro para fora” da empresa
4  Aversão a risco
4  Mentalidade de “se não está quebrado não conserte”
4  Comunicação de mão única: “nós imprimimos e distribuimos as notícias”

Desafios da Cultura Organizacional

4  Distância hierárquica: repartição do poder

4  Individualismo x Coletivismo: silos x trabalhos em equipe

4  Masculinidade x Feminilidade
- masculino: valores predominantes são a competição, a realização e o sucesso
- feminino: valores predominantes são cuidar dos outros e manter a qualidade de vida

4Controle da incerteza: grau que as pessoas se sentem ameaçadas por situações ambíguas

4Orientação de longo prazo: gratificação dos esforços tem que ser imediata
  
Os Direcionadores da Mudança

4 Criar uma visão inspiradora

4 Mudar de “foco no produto” para “foco no cliente”

4 Mudar de “foco na venda” para “foco no marketing” 

4 Promover o empowerment em toda a organização

4 Envolver funcionários, fornecedores e investidores na mudança

4 Rever os critérios de recompensa, baseando-os na criação de valor para o cliente final

 4Definir o perfil dos novos colaboradores (funcionários e fornecedores)


Criação de uma Visão Inspiradora

“A melhor maneira de prever o futuro é inventá-lo”
                                       Alan Key, cientista, inventor

4Os valores, a missão e a visão formam o cerne de sua identidade.

4Estes elementos-chave constituem a ligação que faz com que as pessoas, os grupos e as empresas sejam ágeis e inovadoras em situações novas.

O que aprendemos.....

4A visão é desenvolvida pelos líderes

4 É compartilhada com a equipe, que precisa concordar com a visão

4É abrangente e detalhada

 4É positiva e inspiradora, precisa valer à pena
4 Visão sem ação é um sonho
4 Ação sem visão é passatempo
4 Visão com ação é capaz de mudar o mundo…..

Criação de uma Visão Inspiradora

Definindo a Visão
         4uma imagem de como vemos o desenvolvimento do nosso propósito
         4um retrato do futuro escolhido que buscamos criar
         4uma resposta à pergunta: “O que nós realmente queremos?”

Qualidades de uma Visão 
         4ela motiva, inspira, leva à ação
         4é abrangente e detalhada
         4é clara, concreta
         4é tangível, não uma fantasia
         4ela se adapta aos valores importantes
         4é fácil de comunicar, clara e simples
      
Identificando os Valores

4Os valores são a base para a visão:
         4 eles são a base da cultura corporativa
 4 dão aos funcionários um senso de direção-comum e servem de referência para o comportamento do dia-a-dia

4Missão, valores e visão compartilhados reúnem as pessoas.
         4 eles unem e proporcionam a ligação entre pessoas e atividades
 4 as pessoas que compartilham valores ou uma visão assumem mais responsabilidades e questionam mais os limites do convencional.

Declaração de Missão

4A Missão Caracteriza a Exclusividade

4Sua declaração de missão deve distinguir sua empresa de outras,tornando claro o que é exclusivo em relação ao que você faz.

4Ela declara, da perspectiva dos clientes, o que você oferece.

4A declaração de missão é uma ferramenta-guia para os funcionários. Ela os ajuda a tomar decisões e saber qual curso de ação tomar.

Criação de uma Visão Inspiradora

4 A criação da visão antecede o planejamento estratégico

4 A criação da visão é emocional

4A criação da visão é um processo de mudança organizacional

Da missão aos resultados estratégicos


 O Foco no Cliente

4 O foco no cliente exige um perfeito entendimento da geração de valor para os diversos segmentos do público-alvo.

4 O conhecimento da economia do setor e dos geradores de lucro de cada segmento de clientes garantirá a criação de valor de longo prazo (customer equity).

4 Só jogue quando puder ganhar. Escolha bem a quem atender e como atender.   A lealdade exige escolhas. Atraia cracas e não borboletas.

4 Entenda o perfil dos seus clientes mais leais.

4 Invista em programas de referência e redes de comunicação.

4 Recompense somente o volume de qualidade.

Promovendo o empowerment


“Ponha os clientes em primeiro lugar e os funcionários em segundo e o lucro acontece sozinho” 
                                                Jack Taylor CEO E.R.C

4 As pessoas são a principal fonte de vantagem competitiva. Os funcionários são seus embaixadores para o mundo exterior.

4 As pessoas mais próximas do cliente têm que ter poder de decisão suficiente para resolver seus problemas

4 Os valores da organização têm que orientar as pessoas em seus processos decisórios

4 Aceite o erro, mas treine, treine, treine....

Envolvendo todos na mudança

4O líder deve envolver todos os parceiros na construção de uma estratégia ganha-ganha, em que toda a cadeia de relacionamentos com funcionários, revendedores, fornecedores e investidores, gera um valor superior para o cliente final.

4Somente a criação contínua de um valor para o cliente que supere qualquer alternativa da concorrência será suficiente para embasar as aspirações de uma organização digna de sua rede de parceiros.

4Nenhum parceiro pode prosperar se não fizer sua contribuição para níveis cada vez melhores de valor para os clientes.

Revendo os Critérios de Recompensas

4Os líderes devem certificar-se de que cada indivíduo seja recompensado de
forma justa pelo êxito coletivo que ajudou a criar.

4Mantenha a simplicidade e estabilidade dos mecanismos de avaliação de
resultados. Se você quiser que seus parceiros ajam de acordo com regras simples, terá de ajudá-los a acompanhar seu progresso com sistemas simples de avaliação, dos quais se possa esperar que permaneçam estáveis ao longo do tempo.

4Avaliar os resultados é uma das mais poderosas ferramentas dos líderes
para esclarecer as regras e concentrar as energias de seus parceiros.

4Recompense os Resultados Positivos

4Alinhe as metas de desempenho de modo que todos os parceiros aspirem às estrelas. Ajude para que todos atinjam seu pleno potencial, tomando especial cuidado para que os de melhor desempenho sejam recompensados com oportunidades adicionais de crescer e desenvolver-se.

4Não permita que ninguém confunda valor com lucro, nem lealdade com obediência e tempo de casa.

4Meça as coisas certas

4O que você resolve medir é um claro reflexo de seus valores e prioridades. Se seus programas de monitoramento de resultados forem voltados para a medição de lucro, seus clientes e demais parceiros captarão a mensagem subliminar.

4Os principais critérios de recompensa devem medir:
        - se a empresa está captando os clientes certos
        - os índices de retenção de clientes e funcionários
        - o valor que é gerado para os clientes e parceiros
        - o valor do cliente no tempo (Life Time Value)

O Perfil dos Novos Colaboradores

4Escolha Bem (A participação é um privilégio)

4Escolha seus prováveis parceiros com cuidado, de modo a poder investir em seu sucesso e permanecer ao seu lado a longo prazo.

4Os líderes em lealdade são unânimes em estabelecer padrões elevados para os novos funcionários.
        - criam uma oportunidade atraente e exclusiva
        - se dedicam ao processo de recrutamento
- empenham-se para garantir que a primeira experiência do funcionário no emprego demonstre seu valor para a empresa
        - não delegam a seleção dos funcionários

        - avaliam atitude melhor que a competência técnica


Atenção: Esse texto faz parte do e-book Estratégias e Processos de Mercado Leitor e pode ser obtido integralmente através do email: augcamp@globo.com. 

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

O Processo de Fidelização / Retenção de Assinantes
O que faz o consumidor ser fiel?



Conteúdo baseado em apresentação realizada no I Seminário sobre Lealdade de Assinantes, nos dias 24 e 25 de Maio de 2004, com o apoio da ANJ

Você sabe por que se perde um cliente? Veja no quadro abaixo os principais motivos:




Você sabia que:

· Quando um cliente reclama e fica insatisfeito, o indice de fidelidade cai para 23%.

· Um cliente que não tem nenhum problema, mantém a lealdade em 87% dos casos.

· Cliente que reclama e fica satisfeito com a condução de sua queixa, o índice de fidelidade sobe para 92%.

. Lembre-se de que apenas 4% dos clientes reclamam e os outros 96% mudam para o concorrente.


Exemplos de lealdade:



Conceitos sobre Lealdade

O que diz o dicionário.....
Fiel, Leal : que cumpre aquilo a que se obriga; probo; exato; verídico;
que não falha (memória); seguro; sincero...

Uma abordagem filosófica (The Philosophy of Loyalty, livro escrito por Josiah Royce em 1908):

“O desejo e prática e a completa devoção de uma pessoa a uma causa”.

Uma pessoa é leal quando:
        - ela tem uma causa para ser leal
        - ela deseja e se devota completamente a essa causa
- ela expressa essa devoção numa forma sustentável e prática, agindo firmemente no serviço dessa causa

Comportamento de lealdade: a relutância de deixar o grupo no caso de desacordo. Preferir o diálogo (exit x stay and fight)

O sentimento de lealdade aumenta o custo de saída, já que impõe o custo psicológico do abandono.

Lealdade pressupõe relacionamentos enraizados em histórias compartilhadas (“Amigos precisam ter comido sal juntos” -  Aristóteles)

Lealdade se cristaliza em projetos comuns e experiências de vida compartilhada         
Quem não faz parte do “grupo” não pode exigir os mesmos benefícios de quem está dentro

Lealdade, por definição, gera interesse, preferências, uma identificação com o objeto da lealdade, se expressando nos relacionamentos que geram essas preferências

As pessoas trazem suas histórias para suas lealdades o que implica que as razões para serem leais transcendem as características particulares do objeto da lealdade

Se nós expressamos lealdade a uma causa, esse objeto de nossa lealdade tem uma participação recíproca em definir quem nós somos. O mesmo se aplica aos princípios – eu sou leal a eles e eles operam em mim.                      

Há sempre 3 partes (A, B e C) na matriz da lealdade. A só é leal à B se existir a possibilidade de C ser uma possível ameaça à B, o objeto da lealdade.

Consequência para as empresas

As empresas precisam representar os valores de seus consumidores

As empresas precisam promover experiências de consumo que solidifiquem a lealdade dos clientes

Cientes querem ser “premiados” pela sua lealdade

Explorar o custo emocional da mudança

Otimizar os processos que levem à experiências de compra positivas

Só há lealdade se houver concorrência  

A fonte da lealdade está nos intangíveis: somente uma parte pequena dos sentimentos positivos dos clientes sobre lealdade é gerada diretamente pelos produtos. O que conta mesmo são os serviços diferenciados, experiências de compra, solução rápida de problemas, etc

Formação de grupos de afinidade de consumidores, principalmente aqueles alavancados pelo canal Internet. 
  
Foco no marketing de relacionamento, com ênfase em estreitar a intimidade com o cliente.

Por que fidelizar?

“O mercado de hoje não reage mais às estratégias que deram certo no passado. Há produtos demais.  Empresas demais. Barulho demais no marketing” Ries&Trout, 1989
        
O Novo Cenário

Desmassificação do mercado

Mudanças demográficas: a nova família, envelhecimento da população, o “novo” mercado, participação crescente da mulher no mercado de trabalho, alto desemprego, administração do tempo 

Declínio da lealdade às marcas: multiplicidade de produtos e marcas, produtos genéricos, cuponagens ofertando descontos

Novas formas de compras e pagamentos: Internet, Home Shopping, 0800, serviços de entrega à domicílio, vendas por catálogo, explosão do uso do cartão de crédito

Explosão do uso do Data Base Marketing e Big Data: facilidade de uso da tecnologia atual de computadores.

Surgimento da economia de serviços: requer uma abordagem diferente de marketing, reforçando o contato pessoal com o cliente.

Produtos com serviços agregados.

Despontar da sociedade da informação: acesso à informação cada vez mais fácil e barato, consumidores sabem mais sobre os produtos, serviços e empresas.

Comoditização da informação.

Proliferação de novos produtos e multiplicidade de canais de distribuição

O “ruido” da propaganda: incômodo causado pelo excesso de mensagens comerciais, malas diretas, spam etc.


Marketing de Relacionamento como resposta às pressões do novo cenário

 Voltado para o cliente, baseado no conhecimento do seu perfíl de consumo, hábitos etc

 Integra o cliente ao processo de desenvolvimento e adaptação de  produtos e serviços

Busca de nichos de mercado

Desenvolvimento de infra-estrutura de fornecedores, clientes, parceiros e  revendedores

 Desenvolvimento de um sistema de análise de mercado

Por que fidelizar na indústria de mídia

Modelo de lucro da indústria depende de audiência qualificada e preferencialmente crescente

Fidelizar é mais barato do que conquistar novos assinantes  ou recuperar os que cancelaram

A indústria jornalística é uma indústria madura, no meio de uma crise estrutural, influenciada por fatores econômicos desfavoráveis

Novos canais como a Internet  podem comprometer ainda mais o modelo de negócios da indústria no médio prazo

Consumidores mais exigentes, mais informados, mais confusos e  menos fiéis às marcas. Dificuldade de chamar a atenção do consumidor.

Queda nos índices de leitura de jornais e revistas. Somente 26% das pessoas apresentam domínio pleno da leitura.

Estagnação dos volumes de circulação dos jornais e revistas

Falta de segmentação do público leitor, dificulta medição de resposta para o anunciante.

Intensas disputas com outras formas de mídia no mercado (Internet, Eventos, Externas, Celular, DVD)

Momento atual da indústria exige mais do que nunca foco no aumento da
rentabilidade do negócio

Fidelizar exige investimentos

Conhecimento profundo dos clientes (pesquisas)

Comunicação constante  (com permissão)

Suporte intenso de tecnologia (CRM, BI, Big Data)
       
Fidelizar exige mudança de cultura
        - descentralização do poder decisório (empowerment)
        - cultura de “foco no cliente” em todas as áreas
        - planejamento de ações com clientes
        - reconhecimento das individualidades dos clientes

Fidelizar exige “patrocínio” da Alta Administração
        - deve fazer parte da estratégia do negócio
        - deve envolver toda a organização

Filosofando....

“Diga-me e eu esquecerei.
  Mostre-me e eu talvez me lembre.
  Envolva-me e eu então compreenderei.”
                                Confúcio

Atenção: Esse texto faz parte do e-book Estratégias e Processos de Mercado Leitor e pode ser obtido integralmente através do email: augcamp@globo.com.