segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020


12 tendências que impactarão a indústria da mídia em 2020

Consultoria global indica as oportunidades e desafios para as marcas neste ano


A indústria da mídia está em constante transformação, e os avanços tecnológicos da última década aceleraram a introdução de novas plataformas e modelos de negócios. Para dar conta do que vem por aí, a consultoria global Kantar lançou no começo deste ano um relatório com #12 TENDÊNCIAS (veja ao final da matéria as tendências para 2020) que irão impactar o mercado de agências e anunciantes e oferecer oportunidades de crescimento em 2020.

O estudo global Tendências & Previsões de Mídia destaca a onipresença da tecnologia como catalisadora das mudanças no cenário da mídia em 2020. O relatório aponta que, com um cenário cada vez mais concorrido e cheio de ruídos e distrações, as marcas terão de de desenvolver novos modelos de engajamento para impactar e conquistar consumidores.

As tendências do relatório foram divididas em três categorias: tendências tecnológicas que transformam o cenário de mídia; espaços que as marcas podem ocupar com confiança; e o contexto e catalisadores da mudança. Veja abaixo um resumo de cada uma. O relatório completo pode ser encontrado no site da Kantar.

Tendências tecnológicas que transformam o cenário de mídia

5G vira realidade

Com a China na liderança, o 5G deve dar seus primeiros passos em outros mercados, como Estados Unidos e Reino Unido. Aqui no Brasil, a discussão sobre a adoção da tecnologia ainda é bem primária e o primeiro leilão das redes só deve ser realizado pela Anatel no fim deste ano. De acordo com o relatório, a adoção do 5G irá permitir novas possibilidades de interação com consumidor, viabilizadas pela velocidade da rede e a conexão de dispositivos IoT (Internet das Coisas). Por outro lado, quanto mais dispositivos conectados, mais fragmentados serão os dados dos usuários, dificultando a análise e o tratamento adequado das informações.

A guerra do streaming esquenta

A entrada de novos players no mercado de streaming acirra ainda mais a disputa pelos olhos (e bolsos) dos consumidores. A fragmentação dos catálogos e o investimento em produções próprias devem aumentar nos próximos anos.

 Áudio volta a reinar

2019 foi o ano do podcast, mas em 2020 os canais de áudio vão continuar crescendo. A popularização dos assistentes de voz e das casas conectadas impulsionam a busca via áudio e possibilitam um modelo de e-commerce ativado totalmente pela voz. “As novas gerações crescerão com os sistemas de voz facilmente integrados à vida; usarão comandos de voz, farão perguntas e falarão o que desejam, esperando rápidas respostas de diversos aparelhos com comando de voz”, diz o relatório. (Já ouviu o nosso podcast?)

O novo mundo do shopvertising

Segundo o relatório, uma das tendências do e-commerce para 2020 é a popularização dos “anúncios compráveis”, uma forma de publicidade nativa das redes sociais que permite que o consumidor realize todo o processo de compra sem sair do app. O relatório aponta também que as plataformas de e-commerce investirão em eventos de entretenimento ao vivo para converter em vendas. “Já vimos a Amazon apresentar o Amazon Live em 2019, seguindo os passos de plataformas como Taobao, do Alibaba, que demonstrou uma taxa de conversão de 32% em livestream”, diz o estudo.

Espaços que as marcas podem ocupar com confiança

E-sports no mainstream
Os e-sports já são um fenômeno há algum tempo, especialmente na Ásia. É um mercado que movimenta milhões de dólares todos os anos e já tem um ecossistema de grandes players bem estabelecido, inclusive no Brasil. O relatório indica que no Brasil, quase um terço (32%) dos usuários da internet, aproximadamente 30 milhões de pessoas, afirmam ser fãs ativos de e-sports. De acordo com o estudo, a previsão para 2020 é que o tema ocupe ainda mais espaços no mainstream e os jogadores se tornem ainda mais famosos e influentes. (O futuro do segmento de Esports no Brasil e no mundo)

O valor da experiência no offline
De acordo com o estudo, marcas que surgiram 100% nativas digitais devem buscar um ponto de conexão “real” com seus consumidores por meio da promoção de experiências offline. As que vendem diretamente ao consumidor continuarão investindo no e-commerce, mas também buscarão oferecer aos clientes a experiência da vida real por meio de lojas permanentes ou pop-up stores.
Marcas tomam partido
O marketing de causa, no qual as marcas adotam temas de interesse social e defendem posições publicamente, vem acontecendo há algum tempo. Com os consumidores cada vez mais exigentes, o relatório indica que as empresas precisam ser transparentes e colocar em prática seus próprios valores. “Defender uma posição já não é o suficiente. Os consumidores querem ver atitude concreta das empresas”, diz o relatório.
Influenciadores amadurecem
O marketing de influência, que usa influenciadores digitais para se conectar com as pessoas, já está consolidado. Em 2020, segundo o relatório, chegou a hora desse mercado amadurecer do ponto de vista de governança, com análises de riscos mais aprofundadas e medições de resultados mais estratégicas. Além disso, as funcionalidades de e-commerce do TikTok e do Instagram permitirão que influenciadores vendam seus próprios produtos e de marcas parceiras diretamente em seus perfis.

O contexto e catalisadores da mudança

O impacto da política
2020 é ano de eleição presidencial nos Estados Unidos, e a publicidade estará novamente sob os holofotes, especialmente o investimento em mídia nas redes sociais. No Brasil, haverá eleições municipais e o Facebook novamente será uma plataforma chave para a discussão política. Segundo o estudo, as marcas podem adotar uma estratégia de menos exposição na época das eleições para não concorrer com os altos investimentos das campanhas. “A carga de propaganda política pode chegar a ser tão intensa que os eleitores podem fazer questão de evitar os anúncios”, diz o relatório.
O fim dos cookies
Os cookies de rastreamento de usuário, muito usados na publicidade digital para ativar e avaliar campanhas online, estão com os dias contados desde que a regulamentação sobre uso de dados dos consumidores começou a ficar mais restritiva, como a implantação do Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR) na Europa e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGDP), no Brasil. Com isso, a mensuração de campanhas será cada vez mais complexa.

Tratamento consciente de dados
Com a entrada em vigor de legislações que visam proteger os dados dos cidadãos, as marcas e agências de marketing terão de desenvolver novas maneiras de impactar seu público sem incorrer em riscos de quebra de privacidade ou uso indevido de dados pessoais de clientes.
Internalização das mídias
O estudo identificou uma tendência das marcas de internalizar, totalmente ou pelo menos uma parte, seus processos de comunicação e marketing. Segundo o relatório, os anunciantes buscam respostas mais ágeis, abordagens mais adaptadas às marcas e processos menos burocráticos para a estrutura de comunicação. “A internalização significa que as agências precisam evoluir no modo de trabalhar com os clientes, colaborando com equipes internas e concentrando-se no conhecimento estratégico que ela pode fornecer”, diz o relatório.
Fonte: Consumidor Moderno


Digital melhora, mas circulação de jornais ainda é menor do que em 2014

Média ainda está 13,8% abaixo
Veja e Época também têm queda
Jornais em banca na região central de Brasília; assinatura de impressos caiu em 2019
PODER360
31.jan.2020 (sexta-feira)
Saíram os números de circulação dos principais veículos de comunicação do país no ano passado. A tendência segue a mesma: os jornais têm cada vez mais assinantes para suas versões digitais e menos exemplares impressos.
O número total de exemplares (digitais e impressos) de 9 grandes jornais em dezembro de 2014 era de 1.712.424. Em dezembro de 2019, a cifra era 1.476.303. Houve queda de 236.121 (13,8%). Em suma, há 1 ganho via assinaturas digitais, mas a indústria de mídia jornalística ainda não se recuperou totalmente.



Folha, Globo e Valor publicaram reportagens festejando os resultados. Cada 1 usou as estatísticas da forma mais conveniente para o seu negócio:
  • Folha – jornal destaca que ainda é o líder na soma de exemplares impressos e digitais na média mensal do ano (328.438 cópias), superior ao Globo (323.172);
  • Globo – o diário do Rio prefere ficar com o número final de 2019. Declara-se líder na soma de impressos e digitais (333.773 cópias em dezembro contra 329.394 da Folha);
  • Valor – o jornal de economia da família Marinho celebra o total de 107.219 cópias impressas e digitais em dezembro, declarando-se o 4º maior veículo em circulação online no país (81.222 por dia), pouco acima do gaúcho Zero Hora (que tem 79.793 assinaturas digitais).
3 jornais e 3 leituras: cada veículo encontrou 1 número positivo para divulgar os dados de 2019

PLATAFORMA DIGITAL

O valor cobrado pelos jornais ainda é modesto para quem deseja assinar e ter acesso às suas edições digitais.
O preço cheio, sem promoções, só vale para assinantes que permanecem comprando o serviço. Mas os jornais têm oferecido inúmeras opções mais baratas e a auditoria do setor permite considerar assinante até quem tem 90% de desconto.

Os veículos jornalísticos divulgam de maneira esparsa suas audiências na internet, para os seus sites (que podem ser abertos ou fechados):
  • Folha – a última estatística indica 34,3 milhões de visitantes únicos e 193 milhões de páginas vistas. Há 1 recuo sobre janeiro de 2019, quando Bolsonaro tomou posse e a Folha declarava ter 35,7 milhões de visitantes únicos e 231,5 milhões de páginas vistas;
  • Globo – o diário carioca informa que em novembro de 2019 teve 27,7 milhões de visitantes únicos, o que teria representado “aumento de 25% em 12 meses, segundo dados da ComScore”;
  • Estadão – em novembro passado, de acordo com a ComScore, o tradicional jornal paulistano registrou em seu site 16,7 milhões de visitantes únicos (recuou de 14% sobre o mesmo mês de 2018);
  • Valor – o jornal especializado em economia divulga ter 5,3 milhões de visitantes únicos em seu site no final de 2019, aumento de 20% sobre a audiência de 2018. O “Valor Investe”, outro site separado e sobre finanças, teve 2 milhões de visitantes únicos em novembro.

REVISTAS EM QUEDA

A revista Veja perdeu 263.309 exemplares impressos e digitais até novembro de 2019, números mais recentes disponíveis. Isso equivale a uma queda de 32,8% sobre dezembro de 2018.
Já Época, do Grupo Globo, teve redução de 334.837 cópias (67,1%). IstoÉ não é auditada pelo IVC e seus números não são conhecidos.
Somadas, as perdas de Veja e de Época somam 598.146 exemplares a menos (46% de queda).
É interessante notar, como mostra o infográfico a seguir, que as revistas perderam assinantes de suas versões impressas e digitais:

NOMECLATURA DA MÉTRICA
O paulistano Folha de S.Paulo tem o hábito há décadas de divulgar seus dados diariamente na capa do jornal impresso. É o veículo mais transparente quando se trata de mostrar o tamanho de sua audiência.
Observar a terminologia usada pela Folha é uma aula sobre como foi mudando a nomeclatura e a métrica para medição de audiência, como mostra o infográfico a seguir:


IVC MONITORA TIRAGEM

É muito importante levar em conta que a maior parte do aumento recente de assinantes digitais dos jornais se deu em 2018, quando o IVC (Instituto Verificador de Comunicação) mudou o critério sobre o que é “circulação paga”.
Em 2018 deu-se uma espécie de “pedalada” contábil. É que, em janeiro daquele ano, o IVC passou a considerar como “circulação paga” assinantes que recebem até 90% de desconto em relação ao preço de capa (eis o comunicado com o novo critério). Isso provocou 1 espetáculo do crescimento de assinantes digitais.
Os gráficos acima neste post marcam o momento em que houve o crescimento mais acentuado das tiragens dos jornais. Como é possível observar, o fenômeno não se repetiu com a mesma intensidade em 2019 –pelo menos não para todos os veículos.
No início de 2019, o IVC esclareceu ao Poder360 o que se passou por meio de seu presidente, Pedro Silva:
“Em janeiro de 2018, tivemos alteração dos valores máximos permitidos de desconto. Isso quer dizer que alguns assinantes que não pagavam o suficiente para serem considerados ‘circulação paga’ passaram a ser contabilizados. Isso explica o aumento expressivo de 1 mês para o outro e a não continuidade do crescimento nos meses seguintes”.
E de quanto pode ser o desconto? Segundo o documento do IVC datado de 1º de janeiro de 2018, no caso de assinaturas digitais, o abatimento passou de até 90% do valor cobrado das edições impressas.
Diferentemente de vários veículos nos Estados Unidos que são empresas abertas e com ações negociadas em Bolsa de Valores, no Brasil, os empreendimentos em mídia são fechados. Por essa razão (e não há nada de errado nisso), são pouco conhecidos os resultados financeiros –e o impacto que têm as assinaturas digitais, que crescem, mas resultam em faturamento não tão robusto como eram as vendas das edições em papel.

 Fonte: Poder360

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Using data science to reduce churn, engage readers at Globe and Mail


Zen Habito

The Globe and Mail
Toronto, Ontario, Canada
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When The Globe and Mail launched its paywall in 2012, it started the transformational shift toward becoming a digital business. Over the last eight years The Globe has assembled a talented data science team, started commercialising a suite of proprietary digital products and services, and has consistently achieved 20% year-over-year growth in the number of digital subscribers.

Achieving this success not only required process and system changes but a change in culture. Business units had to think about multiple platforms, work more collaboratively on projects and products, and create solutions benefiting both the business and our subscribers.
Knowing we needed the joint expertise of our colleagues to reach our goals, the loyalty and retention team partnered with three key groups to positively impact digital subscriber churn and engagement:
  1. The data science and database marketing group to engage with individual subscribers in a more meaningful way.
  2. The editorial group to curate content for digital platforms and bring content to life.
  3. The IT infrastructure and digital group to build a solid platform to provide leading customer experience.
For the purpose of this post, I’ll focus on work done with the data science and database marketing group. Our data science team had an extensive amount of data on our audience, the loyalty and retention team had a number of hypotheses, and the database marketing team had the tools to get the message to our customers. Together we were able to develop campaigns that allowed us to better understand our audience.
Here is what the data science group built and some of our results:
  • Sophi: This analytical tool developed in house measures real-time content success. It informs us of the content most valued by our subscribers and allows us to easily identify articles to promote to subscribers. We used Sophi to select articles featured in a weekly roundup e-mail that reduced churn by 12%.
  • Propensity model: We were able to identify who, and, more importantly, who not, to engage with. We now avoid e-mailing subscribers with the highest propensity churn after testing resulted in a 99% increase in churn for this segment.
  • User profile API: This API gives us the ability to put the “right message, right time, and right person” model into practice on our Web site. Based on the content type and journalists a subscriber has engaged with over a 90-day period, we presented similar content or a member benefit to increase subscriber engagement. When we featured curated guides related to a previously read article, we saw an increase of 9.835% in visits. Featuring related newsletters had an increase of 181% in newsletter signups. Promoting more content by specific journalists saw an increase of 767% in article visits.
We continue to work together to better understand our audience as we test, learn, and optimise how best to communicate what is most relevant and valuable to each individual subscriber. The business continues to try to ask the right questions, and the data and tools are helping us find the right answers.

About Zen Habito

Fonte: INMA

8 trends help publishers get, keep digital subscribers

By Matt Lindsay

Mather Economics
Atlanta, Georgia, USA
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The latest trends and tactics in digital subscriptions are helping many publishers grow their subscriptions through increased acquisitions and lower churn rates. Analytics to identify subscription propensity, churn risk, and price elasticity can help optimise these tactics. Testing of price points, offer design, and targeting can further improve performance.

This is a summary of the latest trends and tactics in digital subscriptions we are observing in the market.
Less free content: More publishers are lowering their metres or increasing the percentage of content designated as premium to grow the “metre stop rate” or the share of digital readers who are presented with a subscription offer. Several publishers have raised this share of premium content to 35% or more.
Lower prices: Introductory offers are getting more generous. This is in part to offset the decline in conversion rates that are expected from lowering the metre. Readers who hit a paywall trying to access a premium article are less likely to convert than readers who hit the paywall after their fifth article. Dropping the price offsets this effect to some extent.
Longer promotional periods: Longer promotional periods help with the retention of new subscribers. A publisher in the United States recently changed its acquisition offer to a one-time payment of US$0.99 for six months of digital access. The longer time period offset the high churn that would normally result from a low acquisition price.
Onboarding journeys: Many publishers are introducing user journeys designed to increase their engagement and begin the habit of reading content. A few tactics, such as offering newsletter opt-ins on the subscription check-out page, are effective. Personalised welcome e-mails are another tactic that helps with new reader retention.
Content promotion: Highlighting content unique to the publication is effective in raising conversion rates for new subscribers. Readers are more aware of the journalism they are supporting with their loyalty.
Brand promotion: Newspapers have enormous brand equity in their markets, but these brands are less valuable than they used to be given the decline in print circulation. Brand promotion can complement acquisition campaigns to increase conversion rates, and these brand campaigns also help to retain current subscribers.
Value letters: Placing a letter from the editor on the site promoting a subscription’s value is an effective acquisition tool. These value letters can also be used as retention tools, particularly when they are sent to high-churn-risk subscribers.
Targeted average return per user (ARPU) increases: Changing the pace of planned increases for customer segments or individual customers can improve retention. If publishers have a standard promotional offer followed by increases to the full price, they can elect to extend the promotional offer for customers they believe are likely to churn. Conversely, they can move them to an intermediate price point instead of the full price.
These and other tactics are helping publishers convert higher percentages of their digital audience into paying subscribers and retain them for longer periods of time. Undoubtedly, future innovations in the areas of acquisition and retention and optimisation of these tactics will enable publishers to achieve sustainable digital subscription-supported business models.

About Matt Lindsay

Matt Lindsay is president at Mather Economics, based in Atlanta, Georgia, USA. He can be reached at matt@mathereconomics.com.

Fonte: INMA



Jornais do Nordeste formam rede para fortalecer conteúdo regional




Correio (Salvador), O Povo (Fortaleza) e Jornal do Commercio (Recife) formam a Rede Nordeste e compartilham conteúdo entre si (Imagem: divulgação)

Rede NE apresenta conteúdos produzidos por jornais de três estados do Nordeste. Objetivo é fortalecer a imprensa regional

Por Júlio Lubianco. Texto publicado originalmente no site do Knight Center for Journalism in the Americas

Se colaboração é algo natural e bastante disseminado entre novos veículos nativos do meio digital, isso não é tão simples para os jornais que nasceram no papel e se desenvolveram dentro de uma cultura de competição e rivalidade. No entanto, em meio à crise que reduziu leitores, diminuiu anúncios e cortou equipes, três jornais da Região Nordeste do Brasil uniram esforços para manter a amplitude de suas coberturas sem incorrer em novos custos. E, ao mesmo tempo, fortalecer o jornalismo da região no cenário nacional.

Com uma boa dose de boa vontade dos seus editores e jornalistas, a Rede Nordeste completou um ano em maio. A parceria reúne os três maiores jornais das três maiores cidades do Nordeste: O Povo (Fortaleza), Jornal do Commercio (Recife) e Correio (Salvador).

O Knight Center for Journalism in the Americas conversou com os três editores responsáveis pelas publicações sediadas no Nordeste, e um ex-editor que participou do lançamento da parceria. Todos são unânimes em afirmar que a opção pela simplicidade é chave para que a Rede NE funcione. Nesse sentido, buscaram o que os unia e deixaram as divergências para serem discutidas num segundo momento.

 “Sabíamos que era grande a possibilidade dar certo do ponto de vista editorial em algumas áreas, mas comercial e marketing talvez embarreirassem a iniciativa”, diz Arlen Medina Néri, diretor geral de jornalismo do grupo O Povo. “Se envolvêssemos o jurídico, [a rede] sairia em 2035. Se envolvêssemos o comercial, haveria uma guerra. Tivemos apoio dos acionistas, [que pediram] ‘criem um bom produto e tragam os problemas para a gente resolver’”.

De acordo com Arlen Medina Néri, sabendo onde os seus calos apertam, o grupo optou por começar por conteúdos que dificilmente causariam problemas, como cultura e esporte, para ampliar gradativamente o compartilhamento de outros assuntos do noticiário, como economia e segurança. A política também entrou no pacote, mas ainda é um ponto de atenção. “A gente sabe que a [cobertura] política pode ter divergência. Deixamos a cobertura eleitoral, partidária, em banho-maria, mas a institucional é pautada normalmente”, afirma o diretor de O Povo.

Acordo verbal

A necessidade de simplicidade é tão grande que até hoje não há um acordo formal, por escrito, entre os três veículos. “[A parceria] é muito de boca. Se começássemos pela formalização, o projeto não sairia”, reconhece Roberto Gazzi, ex-diretor de jornalismo e mídias sociais do Correio.

O que mais se aproxima de um entendimento formal é um conjunto de sete regras publicadas no grupo fechado do Facebook usado por jornalistas dos três jornais para compartilhar conteúdo entre si. No geral, elas estabelecem o uso apenas de material próprio, liberam modificações e adaptações e sugerem o devido crédito, como manda a boa prática jornalística.

Atualmente, 66 jornalistas das três redações do Nordeste têm acesso ao grupo da Rede NE. Eles compartilham textos, fotos, áudios e vídeos produzidos pelos veículos para que sejam disponibilizados para o uso comum. Além disso, qualquer material publicado nos sites ou nas redes sociais das marcas pode ser usado pelos parceiros, desde que produção exclusiva e não originada por terceiros, como outras agências.

Jornalismo com sotaque

A rede atual é o desenvolvimento de uma prática comum na cobertura dos times de futebol da região. Em campeonatos nacionais ou regionais, o corte dos custos com viagens de repórteres foi compensado pela troca de material com jornal das cidades onde ocorriam os jogos.

Quando Ceará ou Fortaleza jogassem no Recife, O Povo contaria com material do Jornal do Commercio. E vice-versa quando Sport, Náutico ou Santa Cruz estivessem em Fortaleza. O mesmo vale para jogos em Salvador, cobertos pelo Correio, ou de Vitória e Bahia fora de casa.

Essa ideia foi mais bem estruturada durante a Copa do Mundo do Brasil de 2014. Na ocasião, Fortaleza, Recife e Salvador sediaram partidas. Motivados pela economia de recursos, os três jornais trocaram conteúdo da cobertura do evento, das seleções, dos jogos e dos treinos. Com a semente da colaboração plantada em ações pontuais, em 2018 houve a criação da Rede Nordeste, ou Rede NE, de forma que a troca de informações fosse mais perene.

Outro fator que contribuiu para este movimento foi a crise das empresas de comunicação. Ao mesmo tempo em que reduzia a capacidade de cobertura dos jornais locais, afetava as principais agências nacionais de notícias, que reduziram sua presença na região e, consequentemente, a cobertura.

Para além do eixo Rio-SP

“Por inúmeras razões, as agências passaram por um processo de corte de custos e dão pouca atenção a fatos regionais. Apesar da proximidade geográfica, a gente sabe muito pouco o que está acontecendo com os outros [estados da região]. Temos presença muito mais sólida de noticiário de Rio e São Paulo do que de Fortaleza e Salvador, que nos interessam muito”, explica Laurindo Ferreira, diretor de redação do Jornal do Commercio.

 “As [nossas] empresas compram conteúdos caríssimos de agências nacionais, mas elas não têm um conteúdo local. Ele não chega com a especificidade que precisamos. É uma commodity, um conteúdo homogeneizado, para atender a um cliente médio”, avalia Linda Bezerra, editora-chefe do Correio. “Quero um jornalismo com sotaque”.

Em pouco mais de um ano, a Rede NE já provou seu valor em várias coberturas importantes. Foram os casos dos ataques de criminosos em Fortaleza, das enchentes do Recife e na recente reunião dos governadores do Nordeste em Salvador. Em todas essas coberturas, repórteres de O Povo, Jornal do Commercio e Correio compartilharam textos, fotos e vídeos com os parceiros. “Era como se tivéssemos sucursal em Recife e Fortaleza”, diz Roberto Gazzi.

Até o momento, a Rede NE tem funcionado mais como uma central de informações, disponível a todos, mas produzidas separadamente por cada veículo. Os três jornais do Nordeste, no entanto, caminham para o desenvolvimento de projetos editoriais em conjunto.

Mais uma iniciativa

Uma primeira iniciativa é a #ConexãoNordeste, um programa ao vivo semanal transmitido via Facebook. Na atração, jornalistas de O Povo, Jornal do Commercio e Correio analisam e comentam assuntos relevantes para a região.

A próxima etapa é o desenvolvimento de reportagens apuradas simultaneamente nas três cidades do Nordeste. “Começamos a pensar em pautas conjuntas, trabalhar em temas específicos, com publicação simultânea, mas edições a critério das praças. Esse ponto já é consensual, a primeira pauta deve estar saindo em breve”, adianta Arlen Medina Néri sobre os próximos passos da Rede NE.

“A pauta precisa nascer integrada. É o grande aprendizado. O que se usa até agora é o conteúdo com produção unilateral. Estamos evoluindo para pautar em conjunto. Onde queremos chegar com essa pauta? Isso vai virar um hábito”, explica Laurindo Ferreira.

Integração comercial é desafio

Conforme a integração editorial avança, o envolvimento das áreas comerciais de cada veículo da Rede NE é visto como um passo natural. A questão é sensível, pois requer estabelecer regras mais formais que deixem as empresas confortáveis em compartilhar clientes e suas estruturas de vendas, ao mesmo tempo em que mantém as suas posições nos mercados onde operam.

“A questão de quem fatura, qual é a tabela, era mais complicada. Os comerciais conversaram bem, chegaram a uma fórmula interessante, que todo mundo fica tranquilo… Mas falta mais tempo para um acordo”, pontua Roberto Gazzi.

Em dezembro do ano passado, ocorreu a primeira reunião entre os comerciais. De acordo com Laurindo Ferreira, o simples fato de ela ter acontecido já é motivo de comemoração. Seguindo a experiência editorial, a chave é apostar na simplicidade e no que une os três veículos, ele complementou.

 “Nem entramos no ramo das dificuldades ainda. Começamos a estabelecer que projetos podem nos unir comercial e editorialmente. As praças têm os seus clientes e preços diferenciados. Eu tenho convicção que isso vai acontecer, mas tem de ser mais discutido, há muitos interesses, mas é mais complicado. Cada uma das praças tem de ceder em algum momento para chegar a um consenso”, diz Laurindo Ferreira.

Além do compartilhamento de conteúdo

Para além do compartilhamento de conteúdo e de eventuais projetos comerciais, a Rede NE tem como objetivo se tornar referência no país quando o assunto for os nove estados da região e, com isso, se cacifar no mercado nacional, de acordo com Arlen Medina Néri. Roberto Gazzi, por sua vez, diz que há planos de, no futuro, estruturar uma agência de notícias que possa comercializar os conteúdos para outros veículos.

“No nosso caminho, havia essa ideia de competir com os veículos nacionais, mas muito lá para frente. Seria a criação de uma espécie de agência. Não só para competir, mas para complementar as informações. A cobertura da região é pobre. Quem sabe no futuro [a Rede NE] vire uma fornecedora de informações sobre o Nordeste”, informa Roberto Gazzi.

Por enquanto, os editores têm a clareza de que a parceria fortalece os seus veículos e cria oportunidades em outros mercados, como explica Arlen Medina Néri. “Se somos vistos como player regional, isso obviamente vai atrair atenção política, econômica, terceiro setor, de quem importa. Nosso objetivo desde o início é esse. Não é apenas trocar informações, é reverberar”, finaliza o executivo ao elogiar o projeto da Rede NE, que está ativo há mais de um ano.

Fonte: Comunique-se


As razões que fizeram os jornais crescerem em 2019

Cenário político e econômico do País e transição dos hábitos de consumo da população para o digital são apontados pelo IVC como os motivos da alta da circulação

A circulação geral dos maiores jornais do País aumentou no ano passado. Impulsionado pelas assinaturas digitais, o desempenho desses títulos melhorou em um cenário de recente retração e queda nos números.
Na opinião de Pedro Silva, presidente do instituto Verificador de Comunicação (IVC), a transformação dos hábitos de consumo de conteúdo, o investimento dos veículos na qualificação de suas plataformas digitais e a complexidade dos cenários político e econômico do País atualmente pesaram para que os dados de circulação dos grandes jornais fossem positivos no ano passado na comparação com 2018.
Os tópicos abaixo apresentam os motivos que, na visão do IVC, levaram as grandes marcas jornalísticas a encerrar o ano passado de forma mais positiva.

De acordo com Pedro Silva, é comum as circulações dos jornais aumentarem em anos de eleição. A regra, no entanto, não se aplica em relação a 2019, que registrou crescimento mesmo sem uma disputa eleitoral. Mas os desdobramentos dos resultados das urnas no ano passado colaboraram para que a demanda por notícias fosse mais alta no ano que passou. “Os assuntos mais discutidos ao longo do ano de 2019 era complexos e exigiam uma análise mais aprofundada.

Embora estejamos em meio à proliferação de fake news, as pessoas buscam por informações de credibilidade quando precisam compreender melhor um assunto. A Reforma da Previdência é um bom exemplo. O assunto foi trabalhado na mídia há meses e as pessoas tinham curiosidade em entender como essas novas regras afetariam as suas vidas. Há, em todo o mundo, acontecimentos que precisam ser explicados de forma mais complexa e, nesse momento, as marcas jornalísticas consolidadas acabam prevalecendo”, analisa o presidente do IVC.

 Alta do digital

Quando se analisa a circulação digital dos cinco maiores jornais do País, todos – com exceção do Zero Hora, do Grupo RBS – registraram crescimento em suas assinaturas digitais em 2019. Essa transição de hábitos de consumo de conteúdo mudou a relação das pessoas com o jornal, que deixou de ser algo pronto e estático para entrar na lógica de uma mídia dinâmica, alimentada continuamente. “Houve um tempo em que os assinantes das versões impressas dos jornais também ganhavam o direito de ter uma assinatura digital e isso acaba influenciando nos dados.

Agora, quando conseguimos diferenciar essas assinaturas, percebemos que o digital já responde pela maior parte da circulação dos grandes jornais. Já há algum tempo, as pessoas estão lendo mais o digital do que o impresso”, diz Silva.

Regional, porém universal

Outro ponto que o presidente do IVC atribuiu para o aumento da média da circulação dos jornais é a postura mais universal das coberturas, sobretudo dos pequenos veículos. “Os jornais que eram bem focados nas notícias locais passam a se posicionar como veículos nacionais. A Folha de S.Paulo, por exemplo, apesar do nome, é um jornal nacional que acompanha os acontecimentos do Brasil e do mundo. Isso faz com que o interesse pelo conteúdo aumente em diferentes locais e, também, abre a possibilidade de o veículo conquistar novos mercados”, pontua.

Fortalecimento dos portais

O presidente do IVC também considera que, embora os dados de circulação digital refiram-se às edições “fechadas” dos jornais, que correspondem à determinada data, o consumo de conteúdo jornalístico nos portais dos veículos deve seguir em alta. “Estamos nos preparando para uma transição no consumo dos jornais e vemos que os websites dos veículos começam a ter um alcance ainda maior do que as próprias edições digitais pelo fato de oferecer informações sempre atualizadas. O impresso deve continuar caindo, essa é uma tendência inevitável, mas as pessoas continuarão em busca das informações jornalística no ambiente digital”, conclui Silva,

Fonte: Meio&Mensagem