segunda-feira, 16 de dezembro de 2019


É assim que 5 grandes jornais podem se tornar 2

e tudo em 1 só dia


Cinco grandes empresas midiáticas dos EUA podem se tornar 2 redes em 2020EnginAkyurt/Pixabay
NIEMAN LAB
16.dez.2019 (segunda-feira)
Pior, os 2 jornais que restariam poderiam ser administrados por pessoas responsáveis pelo fundo de cobertura com pouco interesse em mais do que os resultados.
Existe 1 fim à vista?
A primeira metade de 2020 “será a dança final da indústria jornalística“, disse uma das minhas fontes financeiras mais experientes na 5ªfeira – alguém que entende sobre dinheiro há anos. “Tudo será resolvido no primeiro semestre de 2020“.
Por “tudo“, ele quer dizer a consolidação da propriedade e controle das principais empresas de jornais dos Estados Unidos. O que há 3 semanas eram 5 grandes redes – Gannett, GateHouse, McClatchy, Tribune e MNG Enterprises da Alden Global Capital –poderiam, em meados de 2020, se tornar duas. Na mira, está o grande acúmulo em toda a indústria, como apontei pela primeira vez em 2011.
Por causa de suas origens nas comunidades locais, o setor de jornais historicamente carecia da centralização e alcance de outras indústrias. Mesmo as “grandes” cadeias desenvolvidas por donos de famílias nas décadas de 1970 e 1980 não eram realmente tão grandes. Quando Al Neuharth –”o impetuoso e impulsivo magnata da mídia que transformou a Gannett Company em um leviatã de comunicações“, segundo seu  no New York Times– morreu em 2013, Gannett possuía 93 jornais diários. Isso ainda era menos de 7% do total da nação.
E por que juntar agora? Parece tão lógico para executivos de outros setores: o McDonald’s faz hambúrgueres com muito mais eficiência do que todas as pessoas de todas as cidades juntas.
Uma analogia ácida permanece comigo há anos. “Vocês acham que são especiais no ramo dos jornais – é como qualquer outro setor“, um analista financeiro experiente me disse mais cedo nesta década. “Mas é uma indústria em dificuldades, e as indústrias em dificuldades se consolidam. Dessa forma, as notícias são como a gestão de resíduos”.
Outro membro do setor com quem falei recentemente disse que em meados da década de 2020: “Esses caras examinam suas projeções de receita para os próximos 3 a 4 anos e sabem o que fazem.” Isso significa que a consolidação é prioridade. Os jornais cortam despesas, principalmente nas redações, há mais de uma década, desde que a Grande Recessão eliminou 20% da receita e introduziu uma década de números vermelhos nos balanços.
Grande parte da atenção da indústria nesta semana, no Twitter e em outros lugares, concentrou-se nos rumores e nas notícias de demissões em massa da Gannett, semanas após a aquisição da Old Gannett pela então renomeada GateHouse.
Ouvimos dizer que “milhares” de funcionários da Gannett receberão as contas antes do feriado – mas isso não é surpresa. Com US $ 400 milhões ou mais em reduções de custos a serem entregues, ficou claro que a empresa cortaria mais de 2.500 empregos – provavelmente 3.500 ou mais. Os relatórios também indicam que grande parte da liderança da Old Gannett na posição de vendas de alto escalão ficou surpresa com os cortes rápidos nesta semana. Um Google Doc de crowdsourcing está rastreando as demissões por jornal. Atualmente, mostra mais de 160 empregos perdidos, 33 deles em redações.
Mas há muita coisa acontecendo nos bastidores também. Em janeiro, chamei a rodada de tie-ups e aquisições do ano de Jogos de Consolidação de 2019, e agora sua sequência está tomando forma. A compra da Gannett pela GateHouse parecia uma grande jogada –e em tonelagem bruta, combinando as cadeias 1 e 2. Mas olhe mais adiante.
Na 2ªfeira, a busca de Alden pela Tribune Publishing ficou clara. As duas empresas celebraram publicamente 1 “Acordo de Cooperação“. Cooperação é uma palavra muito kumbaya para isso; é realmente um tipo de pacto de não agressão, e todos sabemos que esses sempre funcionam muito bem .
Na linguagem corporativa, isso é chamado de paralisação. Nesse caso, o sempre agressivo Alden concordou em retrair suas presas –por enquanto.
O presidente da Alden, Heath Freeman, surpreendeu a todos (incluindo o conselho e os executivos da Tribune). ao comprar uma participação de 25% das ações da Tribune do grupo liderado pelo ex-presidente da Tronc, Michael Ferro, em 19 de novembro. Então, apenas 6 dias depois, Alden disse à SEC que aumentou sua participação para 32%.
A paralisação impede que a Alden aumente sua participação em 33% até 30 de junho de 2020. Também, pelo mesmo período, proíbe a Alden de iniciar uma briga por procuração – uma tentativa de substituir os atuais membros do conselho da Tribune pelos seus, uma tática que ele tentou ( sem sucesso ) na tentativa de aquisição da Gannett em maio.
Em troca dessa pausa, o Tribune ampliou sua diretoria de oito para seis, deixando Alden escolher os dois novos diretores. Joe Cahill, colunista do Chicago Business de Crain, classificou a oferta como indefensável. Sua indignação está bem colocada; a cidade natal do Chicago Tribune – que encontrou uma certa estabilidade nos últimos anos após o tempo Ferro/Tronc –poderia repentinamente enfrentar o mesmo destino que o Denver Post, eviscerado por Alden ou o Mercury News (anteriormente San Jose). Para o Tribune, no entanto – com sua vida corporativa subitamente revertida -, parecia o melhor negócio no momento.
Alden, o vilão dos quadrinhos da indústria jornalística, está agora firmemente dentro da tenda de uma das poucas grandes redes de jornais públicos ainda não controladas por agentes financeiros. Não por acaso, o Tribune também possui o menor endividamento dessas cadeias –tornando-o adequado para o tipo de endividamento que é a ordem de pagamento de jogadores como Alden.

JOGOS DE CONSOLIDAÇÃO DE 2020

Então, que tipo de cenário é provável, ou pelo menos imaginável, em 2020?
Embora nenhuma das empresas envolvidas em toda essa intriga faça comentários, existe um amplo acordo sobre como será o cenário de negócios em potencial no início de 2020.
Os fatos mais marcantes: duas paralisações e a data de 30 de junho.
Sabemos da paralisação de Alden. Qual é a outra? Patrick Soon-Shiong, que comprou o LA Times e o San Diego Union-Tribune do Tribune em fevereiro de 2018, também está parado. Como o bando de Ferro, ele também é dono de cerca de um quarto do Tribune –uma participação que ele inicialmente assumiu quando estava interessado em adquirir o Times, mas segurou-o mesmo depois dele. Em janeiro, ele concordou com uma paralisação que o impede de agir independentemente do conselho da Tribune.
Essa paralisação expira em 30 de junho de 2020, igual à de Alden.
Portanto, quando o relógio chegar à meia-noite, tanto Alden, com 32% ou 33%, quanto Soon-Shiong, com 24%, estarão livres para votar em suas participações como desejarem, assim como comprar ou vender mais. Até o jornalista mais avesso à matemática pode ver que, combinados, Alden e Soon-Shiong terão a maioria das ações do Tribune. Isso é controle real.
Alden, então, aguarda 30 de junho?
Pode não ter que esperar tanto tempo. Embora seus dois novos diretores precisem se recusar a negociar qualquer fusão do Tribune/MNG, o conselho do Tribune não precisa esperar a data. Seu conselho poderia nomear 1 comitê especial composto por conselheiros independentes. Esse comitê poderá avaliar o que é do melhor interesse dos acionistas da Tribune e passar para a parte cumulativa mais cedo ou mais tarde.
Na verdade, não pense em 30 de junho como a arma inicial para fusões e aquisições – pense nela como a linha de chegada. Ou, em termos mais apropriados para os jornais, um prazo. Se o Tribune puder fazer um acordo com um parceiro de fusão antes disso, poderá fazê-lo nos termos que considerar mais favoráveis. Se não puder, bem, todas as apostas estão fora do que acontece quando essas paralisações expiram.
Quem pode ser esse parceiro de fusão? Dois eventos recentes reorganizaram o tabuleiro de xadrez.
O novo Gannett, absorvido pelo GateHouse, está totalmente ocupado com seus próprios grandes elevadores: integrando duas grandes empresas, cortando tudo o que pode ser cortado e pagando os US $ 1,8 bilhão de juros altos que assumiu para fechar o negócio. O novo Gannett está fora de cogitação – por enquanto.
Então, o mais provável parceiro de dança do Tribune, McClatchy, saiu do quadro, pelo menos por enquanto. Como concentra sua atenção na reorganização financeira de sua estrutura de capital e negocia com os federais a aquisição de seu plano de pensão, o apelo da McClatchy como parceiro de fusão diminuiu bastante. Ele vê a mesma lógica no corte de custos em larga escala que uma fusão poderia proporcionar. Mas não pode fazer muito até que sua própria reorganização seja feita.
Quanto tempo isso pode levar? Bem, McClatchy provavelmente precisará da maior parte do primeiro semestre do ano para limpar sua situação por meio de reorganização voluntária ou falência. Então, digamos, talvez por volta de 30 de junho? Essa data será circulada no calendário de todos os executivos de jornais em pouco tempo.
Os 2 primeiros trimestres de 2020 podem marcar a grande reordenação de propriedade, controle e gerenciamento de jornais que está nos cartões há anos.
O que é mais provável? Os observadores colocam um acordo Tribune/MNG no topo da lista. O maior motivo? Apenas o grande corte de custos permitido ao reunir duas grandes empresas. Nos últimos anos, houve vários obstáculos não financeiros atrapalhando vários vínculos (as pegadas geográficas se encaixam? E as culturas corporativas? Eles concordam com a estratégia no futuro?). Mas agora, o imperativo é o corte de custos, e isso supera todo o resto.
Uma junção Tribune/MNG se tornaria a segunda maior cadeia de jornais dos EUA, atrás de Gannett. Isso incluiria a lista pequena, porém pesada, do Tribune, que inclui o Chicago Tribune, o Baltimore Sun, o Orlando Sentinel, o South Florida Sun-Sentinel, o New York Daily News e o Hartford Courant. O MNG aumentaria o volume, com 97 diários e semanais no total, incluindo propriedades outrora importantes como The Mercury News, The Denver Post e St. Paul Pioneer Press. Têm grande apelo no norte e no sul da Califórnia.
Mais importante: quem controlaria essa empresa compartilhada?
Isso inicia um jogo de salão. O que Heath Freeman, da Alden, realmente quer neste momento? Ele coordenou a MNG durante seus primeiros anos digitais, certificando-se de que, quando se trata de investimento no produto, é o Digital Last. Ele vê uma fusão do Tribune como uma forma de gerar dinheiro, à medida que mais lucros se tornam mais difíceis de obter? Ou ele sente ainda mais refresco ao submeter o Tribune –já esgotado, sim, mas ainda não emaciado aos padrões de Alden– à sua disciplina de redução de custos?
Essa é uma grande questão. Outra é a avaliação, a questão fundamental da maioria das fusões. Sabemos o que o mercado acha que o Tribune de capital aberto vale – seu valor atual é de US $ 444 milhões. A MNG é uma empresa privada controlada pela Alden, seu acionista majoritário. Os observadores estimam seu valor em torno de US $ 300 milhões, mas é realmente impossível saber de fora.
Vários daqueles que conseguiram ler os livros da Digital First/MNG ao longo dos anos acharam alguns dos questionáveis ​​em contabilidade. Além disso, a Alden mostrou-se capaz de transferir e movimentar dinheiro entre seus vários afiliados com a habilidade de um veterano negociante com três cartas –e foi processado e investigado por isso.
Depois, há a grande questão de qual valor essas marcas de jornais terão no futuro se forem reduzidas ainda mais. Ou, como disse o CEO de uma empresa, “quanta vida ativa ainda resta?“. E quanto de qualquer transação seria em dinheiro e quanto ficaria em estoque?
Mas, apesar de todas essas perguntas, sim, o Tribune poderia “comprar” a MNG. Ou vice-versa – lembre-se de que foi o GateHouse menor que engoliu o Gannett maior. E uma coisa é clara: há uma chance razoável de que Heath Freeman e Alden tenham a oportunidade de fatiar e picar os papéis de Tribune como ele tem dos MNG.

MCCLATCHY VISA MEIO DO ANO

Se a combinação Tribune/MNG acontecer, isso reduziria as 5 companhias de jornais que tínhamos há 1 mês para 3.
Como podemos chegar a 2? Isso se resume a McClatchy. Após uma fusão entre Tribune e MNG, McClatchy seria novamente a 3ª maior empresa de jornais dos EUA – a posição que ocupava antes de adicionar Gannett à GateHouse a promoveu como a 2ª maior.
E como número 3 autônomo, lutando com a mesma economia operacional que seus pares, certamente também gostaria de um parceiro de dança. Exceto que a pista de dança está parecendo escassa tão tarde da noite. Ainda não existem muitas opções. Portanto, é possível que a peça de McClatchy seja se juntar ao novo Tribune/MNG – ou talvez até ao New Gannett. Ou seria um nível de consolidação quase inimaginável no setor há pouco tempo.
Claro, McClatchy iria gostar de ser um adquirente, como quase foi 1 ano atrás, quando chegou perto de comprar o Tribune. Mas suas posições financeiras e estratégicas se enfraqueceram desde então.
Na 4ªfeira,  Joe Nocera, da Bloomberg, escreveu um excelente artigo sobre os desafios de McClatchy e o contínuo foco público do CEO Craig Forman no jornalismo comunitário que faz diferença.
Internamente, McClatchy tem sua parcela de detratores que vai argumentar que, enquanto alguns de seu jornalismo permanece gaveta de cima, os cortes de seus jornais viram não são que longe dos de seus pares. No entanto, é verdade que McClatchy parece um setor em desacordo. É uma empresa de capital aberto, mas sua estrutura de ações de duas classes ainda dá à família McClatchy (1857) um pouco de controle. Enquanto o participante financeiro Chatham Asset Management, seu maior acionista e devedor, circunscreve a tomada de decisões da administração, a empresa se destaca como defensora dos valores jornalísticos tradicionais no mar cada vez maior dos proprietários de fundos de hedge e de private equity.
Forman, na peça de Nocera e em outros lugares, defende que McClatchy está liderando o pacote em termos de transição digital, especialmente na venda de assinaturas digitais com preços razoáveis.
Mas nada disso salvará a McClatchy – quando terminar de arrumar sua casa financeira interna – de enfrentar um cenário de indústria bastante alterado. Que escolhas ainda pode ter no verão?
Cinco grandes empresas podem se tornar duas. Estas poderiam ser administradas por empresas de investimento com pouco afeto ou apego aos negócios de jornais –Alden, cujos pecados são bem conhecidos, e Fortress Investment Group, que tem um contrato de gestão para administrar Gannett até o final de 2021. Embora Fortress e Alden diferem significativamente em suas práticas de gestão, permanece o fato de que o interesse de ambas as empresas no resultado final desperta a maioria dos pensamentos sobre o papel do jornalismo em servir suas comunidades.
Essas duas empresas teriam provavelmente cerca de um terço da imprensa diária; O novo Gannett já detém uma participação de 18%. Depois, há as empresas Lee –em 50 mercados, com propriedades menores– e as duas grandes empresas privadas, Hearst e Advance. A seguir, há um número razoável de cadeias menores, a maioria focada em propriedades menores de jornais.
Então isso é mais Armagedom ou dia do juízo final, questiona o New York Post?
Temos jornais fantasmas, desertos de notícias e agora uma variedade de referências bíblicas para escolher. O que soa como a tarifa de verão de Hollywood, no entanto, se resume a uma palavra preocupante: realidade.

* Ken Doctor é colunista do Nieman Lab. Já escreveu livros e artigos para o Politico.

O texto foi traduzido por Samara Schwingel.

O Poder360 tem uma parceria com duas divisões da Fundação Nieman, de Harvard: o Nieman Journalism Lab e o Nieman Reports. O acordo consiste em traduzir para português os textos que o Nieman Journalism Lab e o Nieman Reports produzem e publicar esse material no Poder360. Para ter acesso às traduções já publicadas, clique aqui.

Autores


sexta-feira, 13 de dezembro de 2019


Brasil vê mídia digital crescer e 331 veículos jornalísticos serem extintos

Dados do Atlas da Notícia 3.0
Mídia impressa perde 195 marcas
Brasil tem hoje 11.000 veículos
Digital perto de alcançar impresso
Há 3.487 ‘desertos de notícias’

A mídia impressa foi a que mais perdeu marcas: 195 veículos foram fechados. Apesar disso, segue sendo o 2º maior meio de comunicação do Brasil

A 3ª edição do Atlas da Notícia –base de dados criada para mapear as empresas produtoras de jornalismo no Brasil– mostra que 331 veículos jornalísticos foram extintos no Brasil, dos quais 195 (60%) foram da mídia impressa. Os dados indicam avanço da revolução da mídia digital e seu impacto sobre a circulação de exemplares em papel dos jornais, que seguem em queda vertiginosa desde 2014, como mostrou levantamento produzido no mês passado pelo Poder360.
Parte inferior do formulário

O Atlas da Notícia é uma iniciativa do Projor (Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo) e é inspirado no projeto America’s Growing News Deserts, da Columbia Journalism Review, com o financiamento do Facebook, por meio de seu programa FJP (Facebook Journalism Project).
O período de análise do fechamento dos veículos não foi registrado pelo levantamento. Segundo o Projor, por se tratar de 1 projeto novo, a comparação anual para esse tipo específico de dado será possível apenas em futuras edições da pesquisa.

Atualmente, segundo o Atlas da Notícia, existem 11.833 empresas que produzem jornalismo no Brasil, considerando todas as plataformas de comunicação (impresso, digital, rádio e TV). As emissoras de rádio formam o maior grupo: são 4.195 (35,5% do total). Em 2º aparecem os jornais e revistas impressos, somando 3.429 (29%) veículos. O tradicional papel já está perto de ser alcançado pelo digital. Veículos on-line reúnem 3.051 veículos (25,8%). As emissoras de TV somam 1.158 (9,8%).
As mais de 11.000 empresas de jornalismo estão presentes em 2.083 municípios, que abrigam 171,2 milhões de pessoas, o que corresponde a 82% da população brasileira.
Apesar do alto número, ainda há 3.487 municípios (62,6%) “desertos de notícias”, ou seja, que não tiveram registro de  veículos jornalísticos no Atlas de Notícias. Nas localidades, vivem 37,4 milhões de brasileiros, 17,9% da população.
Outros 1.074 municípios (19,2%) são “quase desertos”, ou seja, lugares com até 2 veículos e em risco de se tornarem desertos. Nas localidades, vivem 27,5 milhões de brasileiros, 13,2% da população.

QUEDA DE VEÍCULOS BRASILEIROS


Levantamento do Poder360, mostra que houve perda de 10% da tiragem dos principais jornais do país. Os dados são de dezembro de 2014 a outubro de 2019.
As curvas das circulações impressas mostram uma fotografia clara de ser entendida, como neste gráfico a seguir:

Em destaque, o grupo Globo está em processo de redução de gastos e de restruturação institucional focada em criação e produção de conteúdos digitais. Resultado: demissões que podem atingir cerca de 4.000 funcionários.
Além das demissões, veículos impressos do grupo estão sendo extintos. A versão impressa da revista Galileu, por exemplo, será descontinuada e a publicação permanecerá 100% digital. A revista Época também corre risco de ser extinta no início de 2020.
Outro gigante da comunicação, o grupo Abril está em processo de recuperação judicial. Em 5 de dezembro, a empresa vendeu a unidade de negócios Exame. A revista foi arrematada em leilão pelo BTG Pactual por R$ 72,3 milhões –que era o lance mínimo estipulado no certame.

Fonte: Poder360


O que as mudanças do Google dizem sobre o futuro da mídia digital?

Digital partners preparados para essa mudança possuem audiências próprias e exclusivas, qualitativas e legais, além de tecnologia para expandi-las

ProXXIma
13 de dezembro de 2019  


Por Essio Floridi 

 Nos últimos dias, o Google anunciou duas importantes mudanças na maneira de comercializar mídia. A partir de 2020, a gigante americana vetará o uso de dados contextuais em sua plataforma e, neste mesmo ano, ela deve abandonar a oferta de serviços gerenciados, reservando sua ação ao oferecimento de tecnologia. Essas decisões não apenas impactam o ambiente digital, como também anunciam uma nova era para o mercado e definem o perfil dos players que serão imprescindíveis no futuro.

Menos informação, mais segurança

A primeira decisão do Google foi a de excluir as categorias de dados contextuais em bid requests durante os leilões programáticos. O motivo, segundo o post liberado por Chetna Bindra, Gerente de Produto do Google com foco em confiança do usuário e privacidade, é o comprometimento com diferentes autoridades de proteção de dados pelo mundo. Para quem usa a plataforma de forma autônoma ou livre de tecnologia, é uma perda. Dados contextuais servem para identificar a essência da navegação de uma audiência e, assim, criar todo um ambiente de comunicação propício à conversão pela inserção de um anúncio próximo a um assunto que o favoreça.
Mas, como já vem sendo discutido, parceiros digitais que trazem insights, mais do que tecnologia, são fundamentais. Isso porque o contexto não é decisivo para o sucesso, mas a escolha e o tratamento das audiências são. Digital partners preparados para essa mudança possuem audiências próprias e exclusivas, qualitativas e legais, além de tecnologia para expandi-las e experiência para definir, junto com o anunciante, as personas que devem ou não receber esse tipo de impacto. Também é responsabilidade desse tipo de player aproveitar o conhecimento do anunciante ao máximo – integrando dados CRM às campanhas e medindo com o analytics, por exemplo -, garantindo que essas pessoas sejam impactadas apenas pelo tempo necessário para elevar a consideração da marca, pelo uso de tecnologias de tempo ideal de exposição e controle da frequência para cada audiência.
Além das audiências, também crescerá a importância dos deals com publishers confiáveis, o que permite maior precisão na veiculação programática e garantirá, em um futuro sem dados contextuais, a presença de marca em hubs estratégicos de audiência.

Confiando em parceiros

A segunda medida, anunciada pelo Google durante o último Google Marketing Partners Summit, é a de que a companhia deve deixar de oferecer serviços gerenciados (para Google Display & Video 360, Search Ads 360, Google Analytics 360 e Campaign Manager), transferindo essa responsabilidade para os parceiros. Embora o movimento não tenha data certa para acontecer, isso significa que o suporte para as tecnologias disponíveis – experts da própria companhia que ajudavam todo um ecossistema publicitário de agências, anunciantes e consultorias – , passa a deixar o auxílio na operação a cargo de empresas especialistas em suas tecnologias e certificadas.
Se, por um lado, esse é um reconhecimento público da confiança do Google em seus parceiros para o gerenciamento de serviços – entre os quais figuram nomes como Jellyfish, Accenture, Delloite e Mightyhive -, é também um sinal do nível de autonomia e de maturidade atingidas pela mídia digital globalmente. Isso permite que o Google se dedique ao desenvolvimento de plataformas, em vez de serviços.
Olhando pelo ângulo da escolha do parceiro digital, essa medida também revela mais uma tendência: para o Google, o caminho do marketing digital é a eliminação total de silos. Ao confiar em parceiros que trabalham com o stack completo da empresa e recomendá-los ao mercado, a empresa transmite que, mais importante que saber usar uma tecnologia é saber integrá-la às outras, construindo uma visão precisa e completa da marca no mercado.
Grandes mudanças estão por vir e essas medidas acompanham as tendências de mercado. Chegamos a um momento em que a marca deseja entender o consumidor como um todo, e o consumidor deseja escolher quais informações a marca saberá sobre ele. Neste movimento, um parceiro é fundamental para não só captar essas informações, mas trabalhá-las, garantindo que a marca entenda o que realmente importa sobre o cliente: suas motivações, expectativas e como surpreendê-lo positivamente.


Publicidade deve desacelerar em 2020

Relatório do GroupM aponta que taxa de crescimento não deverá passar de 4% nos próximos anos

Crescimento do mercado publicitário deve variar entre 3% e 4% até 2024, de acordo com relatório da GroupM (Crédito: Reprodução)
Por Lindsay Rittenhouse, para o AdAge
As previsões do GroupM, empresa de mídia e publicidade do WPP, prevê uma desaceleração mundial no crescimento da publicidade a partir de 2020, à medida em que a economia enfraquece.
Compilado por Brian Wieser, que chegou à WPP como presidente global de business intelligence em fevereiro, o relatório estima que a publicidade global (excluindo anúncios políticos dos Estados Unidos) encerrará o ano com percentual de crescimento de 4,8% — menos portanto que os 5,7% registrados em 2018. Além disso, o estudo prevê uma desaceleração ainda maior para 2020 e 2021, chegando a um ritmo de 3,9% e 3,1%, respectivamente. O crescimento deverá variar entre 3% e 4% até 2024, de acordo com o estudo.
De acordo com o levantamento, essa lentidão se deve ao enfraquecimento da economia global. “Embora muito pior que nos últimos anos, nós notamos que o volume seria equivalente ao ritmo de crescimento observado durante os anos de 2012 a 2014”, apontou o documento.

EUA na liderança

O relatório estima que o valor total do mercado publicitário seja equivalente a US$ 628 bilhões, em 2020, excluindo investimentos em mala direta e diretórios, o que elevaria esse valor para US$ 700 bilhões.
Os EUA continuam sendo o maior mercado de publicidade global, com US$ 246 bilhões em gastos, de acordo com o GroupM. Apesar disso, o crescimento da publicidade americana será reduzido de 7,6% em 2019 para 5% em 2020 e 3,4% em 2021, aponta o estudo.
Dividido por canais, o relatório afirma que “a publicidade relacionada à internet agora é inequivocamente o meio mais importante do mundo”. O documento prevê US$ 326 bilhões em receita de anúncios digitais, durante 2020, número superior aos US$ 294 bilhões registrados em 2019. O digital vai representar 52% do total global da publicidade em 2020, representando crescimento de 11%.
A taxa global de anúncios em televisão terá declínio de 3,6% em 2019, afirma o relatório. Esse dado não inclui a propaganda política nos EUA, que subiria essa média para 5,5%. O estudo do GroupM prevê pouco menos de US$ 170 bilhões em receita global de anúncios em TV até 2024. Mas enquanto a taxa média de crescimento foi de apenas 0,1%, em 2019, o relatório antecipa que os investimentos em TV vão chegar à 1,8% em 2020, “ilustrando que existem muitos países onde a publicidade na TV ainda está crescendo”, afirma o documento.

O efeito do streaming

Segundo o levantamento, o streaming continua ganhando força. A Netflix responde por 37% de todo o consumo desse tipo de conteúdo nos EUA, aponta o relatório, citando a Nielsen. O GroupM sugere que a Netflix possui 5% da participação em visualizações, com base nos dados da Nielsen. A empresa deve investir US$ 3,5 bilhões este ano em produção de conteúdo e US$ 5 bilhões até 2024. Junto à receita do Hulu, a Disney também deverá colocar US$ 5 bilhões anualmente em conteúdo para o Disney + até 2024.
“Para a indústria de mídia, a questão é qual será a tolerância dos donos de mídia para a queda das margens”, aponta o relatório. “Para os anunciantes, alguns elementos da televisão vão piorar porque o inventário de anúncios deve se tornar mais escasso e, provavelmente, mais difícil de conquistar. Por outro lado, onde a publicidade existe neste novo mundo – e muitos serviços de streaming vão agregar os anúncios como um elemento de seu modelo de negócio — é provável que conquiste mais consumidores engajados, potencialmente em ecossistemas mais valiosos”.
Combinadas, TV e digital representam 80% de toda a publicidade, segundo o relatório, deixando de fora o out-of-home, impresso e rádio.

Altos e baixos

O OOH representa a maior promessa entre as três mídias, com US$ 39 bilhões na receita global de anúncios, em 2019, de acordo com o relatório. O documento prevê que o crescimento do out-of-home terá desaceleração de 5,3% em 2018 para 1,8% em 2019 e depois recuperará, com crescimento de 2,5% em 2020.
O rádio, que deverá equivaler a US$ 31 bilhões em mídia este ano, vai cair 1,1% em 2019  e crescer 1,8% em 2020, excluindo a propaganda política dos EUA, de acordo com o relatório. O documento afirma que o impresso “ainda luta”. Estima-se que os jornais arrecadem US$ 39 bilhões em receita publicitária, em 2019, uma queda de 11% em relação ao ano anterior. É estimada queda de 10% a cada ano para os jornais daqui para frente. As revistas enfrentam uma ameaça semelhante, com declínio de 10% em 2019.
Qual a lição sobre isso? “Apesar dessas tendências de crescimento desfavoráveis, todos os profissionais de marketing devem avaliar regularmente as oportunidades de usar a mídia além da televisão e distribuir digitalmente suas campanhas”, diz o relatório. “Só porque um meio está crescendo lentamente ou em desacelerando não significa que não possa ser impactante para a publicidade agora ou no futuro”.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019


Abril vende Exame a BTG Pactual
Banco, que já havia adquirido a dívida do grupo por meio do fundo Enforce, confirma interesse estratégico em conteúdo financeiro
5 de dezembro de 2019  

O Grupo Abril concluiu na tarde desta quinta-feira, 5, a venda da unidade produtiva isolada (UPI) Exame, responsável por produzir revista, ativos digitais e eventos dedicados a negócios e mercado financeiro. Em leilão realizado em São Paulo, o BTG Pactual foi o único interessado a se habilitar dentro do prazo. O lance mínimo era de R$ 72,37 milhões. 

O leilão é previsto no Plano de Recuperação Judicial da Abril, por meio do qual a empresa tenta se capitalizar para abater dívidas de R$ 1,69 bilhão. Além da Exame, a sede própria da empresa na Marginal Tietê, em São Paulo, e diversos imóveis em Campos do Jordão, no interior do estado, serão leiloados no decorrer dos próximos anos.

Segundo edital do leilão, a UPI é “composta por bens, direitos e obrigações diretamente relacionados e necessários ao desenvolvimento das atividades econômicas para exploração da marca Exame”. Criada pela Abril há 52 anos, a Exame é uma das principais publicações sobre economia e negócios do Brasil. Além da edição impressa quinzenal e de seu site, também produz anuários, como o Melhores e Maiores, aplicativos e eventos, como o Exame Fórum.
Quinzenal, a Exame teve queda de 44% na circulação da edição impressa no decorrer do último ano, fechando setembro, último dado disponibilizado pelo Instituto Verificador de Comunicação (IVC), com média de 40,6 mil exemplares pagos. A circulação digital em setembro foi de 33,6 mil, queda de 8,17% na variação de 12 meses.
O BTG Pactual intenciona transformar a marca numa plataforma de conteúdo financeiro, no mesmo modelo que a XP Investimentos gere a InfoMoney, que a Creditas faz com a Exponencial e o C6 Bank com o Seis Minutos. Foi o fundo Enforce, ligado ao BTG, que adquiriu a dívida da Abril junto à compra de ativos pela Cavalry Investimentos, de Fábio Carvalho. A venda ainda requer aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Fonte: Meio&Mensangem

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019


Compartilhamento de notícias sem leitura


Um estudo patrocinado pelo jornal The Guardian em conjunto com a agência de pesquisa Revealing Reality acompanhou, por três dias, o uso de celular de seis eleitores britânicos pinçados pelo perfil demográfico. Tudo o que fizeram no aparelho foi gravado para depois ser analisado. Perceberam um consumo muito baixo de notícias flagrantemente falsas. Encontraram, porém, títulos exagerados e textos que forçam um viés ou interpretação. E o compartilhamento de notícias ocorre frequentemente sem que usuários as leiam. Se dá pelo título ou foto. Aliás, este noticiário político é consumido como forma de entretenimento — mais notícias tornadas memes e posts de influenciadores do que matérias jornalísticas. Sites ideologicamente carregados são tão ou mais consumidos do que veículos tradicionais — e isto independe do perfil político do eleitor. O comportamento das pessoas é agressivo, frequentemente indo buscar briga em caixas de comentários de conhecidos ou provocando com postagens. Criar situações de tensão com conhecidos faz parte do comportamento político. Embora a amostra não seja estatisticamente relevante, o resultado bate com outros estudos. Mostra um consumo de informação hiperfragmentado, voltado para atiçar emoção, criando um jogo de marketing político no qual ganha quem consegue romper o bloqueio, resumindo mensagens em memes ou material de fácil e rápida absorção.

Pois é... Uma técnica dominada pela direita e ignorada pela esquerda. Não só no Brasil.


Fonte: Newsletter Meio